Citadel rebate Citrini e diz que não há evidência de “fim do mundo” por causa da IA

Maior market maker do mundo contesta tese de desemprego em massa e “PIB fantasma” que sacudiu o mercado, e afirma que dados atuais não indicam colapso econômico

Paulo Barros

(Foto: Igor Omilaev/Unsplash)
(Foto: Igor Omilaev/Unsplash)

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Depois de o relatório da Citrini Research ganhar repercussão ao projetar uma “crise global de inteligência” em 2028, com desemprego acima de 10% e queda acentuada do mercado, a Citadel Securities publicou um contraponto direto à tese.

Em relatório publicado na última terça-feira (24), a maior market maker do mundo argumenta que o cenário traçado pela Citrini é hipotético e não encontra respaldo nos dados atuais de emprego, investimento e adoção tecnológica.

A Citadel parte de números correntes para rebater a narrativa de colapso iminente. Segundo a gigante, a taxa de desemprego nos Estados Unidos está em torno de 4,3%, distante do patamar de dois dígitos projetado pela Citrini para 2028. “Não há evidência, nos dados correntes, de uma substituição ampla e imediata de trabalho humano”, afirma a análise.

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O relatório também destaca que os investimentos em infraestrutura de IA somam cerca de US$ 650 bilhões, o equivalente a aproximadamente 2% do PIB americano, com milhares de novos data centers planejados. Para a Citadel, esse movimento indica expansão de capacidade produtiva, não retração econômica.

Outro ponto central é o mercado de trabalho em tecnologia. A Citadel cita crescimento nas vagas para engenheiros de software, sugerindo que, até o momento, a IA tem ampliado a demanda por profissionais qualificados, e não eliminado empregos em massa.

Produtividade, não “PIB fantasma”

Um dos pilares do relatório da Citrini é o conceito de “PIB fantasma”, segundo o qual a produção gerada por máquinas apareceria nas estatísticas, mas não se converteria em consumo porque “máquinas não gastam”.

A resposta da Citadel questiona essa lógica. “Ganhos de produtividade não desaparecem da economia”, diz o texto, argumentando que renda gerada pelo capital tende a retornar via consumo, investimento ou política fiscal.

A análise também observa que investimentos só fazem sentido se houver expectativa de demanda futura. “Não é economicamente racional expandir capacidade produtiva de forma indefinida se não houver renda para absorver essa produção”, afirma o relatório.

Outro ponto central do contraponto é a velocidade da ruptura. A Citrini descreve um ciclo rápido de demissões, queda de consumo e contágio financeiro.

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Já a Citadel sustenta que a adoção de novas tecnologias costuma seguir um padrão gradual. “A difusão tecnológica historicamente ocorre ao longo de anos, não de trimestres”, diz a análise, citando paralelos com ondas anteriores de inovação.

Além disso, argumenta que há limites econômicos e regulatórios para a substituição total de trabalho humano, como custos de capital, energia e necessidade de supervisão.

“Produtividade mais alta é, historicamente, uma força de expansão econômica, não de contração”, finaliza o relatório.

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Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)