Cielo (CIEL3): desistência de ação sobre Cofins pode ter efeito positivo para números da companhia; confira

Companhia optou pela desistência no processo em que contestava a majoração da alíquota da Cofins entre os exercícios de 2004 e 2017

Felipe Moreira

(Divulgação/Cielo)
(Divulgação/Cielo)

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A Cielo (CIEL3) informou na noite da véspera que optou pela desistência no processo em que contestava a majoração da alíquota da Cofins entre os exercícios de 2004 e 2017. Tal decisão foi aprovada pelo seu Conselho de Administração após avaliações internas e consultas a assessores jurídicos, em decorrência da decisão desfavorável do Supremo Tribunal Federal na semana passada à tese defendida pela companhia.

Vale lembrar que a desistência da ação não terá impacto no resultado da Cielo ou no seu caixa, tendo em vista que os valores referentes a ação já estão provisionados e depositados em juízo, formando um saldo de R$ 1,5 bilhão segundo as demonstrações contábeis do 1T23.

A Guide Investimentos avaliou a notícia como neutra para ações da Cielo, uma vez que todo o impacto referente a causa já havia sido absorvido por balanços anteriores.

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Dessa forma, segundo a Guide, a desistência do processo não tem impactos adicionais negativos ao balanços, sendo os efeitos da decisão visíveis apenas na utilização dos créditos tributários nos próximos resultados, o que diminuirá a alíquota efetiva da companhia.

Por outro lado, analistas da casa apontam que a empresa já possui créditos fiscais de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido a seu favor, devido à provisão para contingências. “A partir de agora, a empresa poderá utilizar esses créditos, uma vez que os valores que anteriormente encontravam-se provisionados poderão ser deduzidos do lucro tributável de acordo com as leis fiscais vigentes”, explica analistas.

O Goldman Sachs, por sua vez, apontou esperar uma reação ligeiramente positiva em relação à notícia por conta dos créditos fiscais. A Cielo havia provisionado R$ 1,5 bilhão relacionados a esse assunto, o que gerou créditos fiscais diferidos em uma taxa de imposto de 34% ou cerca de R$ 515 milhões, representando aproximadamente 4% do valor de mercado da companhia.

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Para o banco americano, a Cielo agora deve ser capaz de monetizar esses créditos fiscais, o que deve beneficiar os resultados e a geração de caixa. “Não se espera nenhum outro impacto”, destaca.

O Goldman Sachs mantém recomendação neutra para ações da Cielo, com preço-alvo de R$ 5,60, baseado em um modelo de fluxo de caixa descontado de três estágios, com uma taxa de custo de capital de 14,1%, crescimento de 12% no segundo estágio e crescimento terminal de 6%. As ações estão sendo negociadas a um múltiplo Preço/Valor da empresa de 6,4 vezes em relação às estimativas para 2023, enquanto o preço-alvo implica que elas deveriam ser negociadas a um múltiplo de 7,7 vezes.

Às 12h55 (horário de Brasília) da sessão desta terça-feira (20), os papéis CIEL3 subiam 0,43%, a R$ 4,63, em um dia negativo para o Ibovespa. Contudo, cabe ressaltar, as ações caem cerca de 10% em 2023, entre as maiores quedas do ano.