Mudança

Ciclo de alta pós-halving do Bitcoin pode estar morto

O motivo, segundo especialistas, é a redução do poder dos mineradores da criptomoeda

Por  CoinDesk -

Em meio ao cenário melancólico induzido pela alta de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), alguns investidores estão apostando que a história se repetirá e o espírito animal (termo usado para identificar as emoções que influenciam o comportamento humano) vai retornar ao mercado do Bitcoin (BTC) antes e após o halving (corte pela metade na emissão da cripto), previsto para acontecer em 2024. No entanto, observadores sugerem o contrário.

“O BTC a US$ 43 mil é caro para um halving daqui a dois anos; seus fundamentos simples deixam o preço baixar por um tempo”, um participante do mercado tuitou no início deste mês, enquanto outro usuário do Twitter expressou entusiasmo e mencionou as disparadas meteóricas do Bitcoin após os eventos de redução da emissão da moeda.

Para os “não iniciados no meio cripto”, o halving é um código programado no sistema do BTC que reduz o ritmo de expansão da oferta em 50% a cada quatro anos.

Essencialmente, a política monetária da criptomoeda está em um caminho de aperto pré-definido contraditório à oferta de moeda fiduciária cada vez maior. Essa é uma das principais razões pelas quais a comunidade cripto considera o BTC um ouro digital e uma alternativa ao dólar americano. O próximo halving reduzirá a recompensa por bloco de 6,25 BTC para 3,125 BTC.

Historicamente, o ciclo de halving compreende um rali de recuperação de dois anos, seguido por uma corrida meteórica de um ano e um mercado de baixa de 12 meses. Se o passado é um guia, 2021 deveria ser um ano de alta como 2017; os ursos (investidores que acreditam na queda da moeda) devem controlar a ação dos preços em 2022, abrindo caminho para uma recuperação no próximo ano e uma corrida de alta após o halving de 2024.

No entanto, é improvável que o ciclo do touro (alta) se repita, de acordo com Katie Talati, diretora de pesquisa da Arca. “Há algumas razões; a primeira é que o poder dos mineradores diminuiu muito desde o último halving”, disse ela ao CoinDesk em uma ligação via Zoom. “Há tão pouco Bitcoin sendo lançado agora. Em 2018, a narrativa era muito mais impulsionada pela influência dos mineradores. Esse não é mais o caso.”

Os dados da Glassnode mostram que cerca de 900 Bitcoins são minerados diariamente, no valor de US$ 35 milhões. Isso é apenas 0,14% do volume de negociação da cripto registrado nas últimas 24 horas – US$ 24,7 bilhões. A média era de 12.000 BTC há 10 anos, acima de 4.000 BTC entre 2013 e 2016 e acima de 2.000 BTC antes de 2020.

  • Assista: Ethereum 2.0: o que esperar da atualização mais aguardada da história das criptomoedas

Além disso, com a disponibilidade de facilidades de financiamento para mineradores, eles não precisam mais vender suas recompensas ou moedas recebidas na validação de transações na blockchain para financiar suas operações, como era a tendência nos primeiros dias.

“A migração do hashrate para a América do Norte em 2021 acelerou essa mudança, melhorando o acesso dos mineradores a opções de financiamento sofisticadas. O número crescente de empresas de mineração de Bitcoin listadas aumentou ainda mais o acesso aos mercados de capitais”, disse a empresa-irmã do CoinDesk, Genesis Global Trading, em um boletim diário de 27 de dezembro. “Com maior disponibilidade de financiamento, os mineradores não precisam mais vender BTC para financiar operações e expansão. Isso reduz a pressão de venda no mercado.”

A Pipe, uma plataforma de negociação e empresa de tecnologia avaliada em US$ 2 bilhões no ano passado, anunciou recentemente o lançamento de um produto de financiamento alternativo para hardware de mineração de Bitcoin e para empresas de hospedagem com receita recorrente.

Todos esses fatores tornaram os fluxos de mineradores irrelevantes para o mercado. Mais importante, o lado da demanda se fortaleceu com a entrada de instituições e macro traders após o crash da criptomoeda em março de 2020.

“Há muito mais demanda do mundo tradicional e investidores institucionais acessando o mercado que você simplesmente não terá … como chegar ao fundo do Bitcoin [assim como em 2014 e 2018]”, observou Talati, da Arca.

Grandes empresas dos mercados tradicionais estão contratando talentos do setor cripto, ignorando a dura queda dos preços. Isso contrasta fortemente com as baixas anteriores, quando as pessoas deixaram os empregos do segmento cripto para encontrar vagas no mercado das finanças tradicionais. A GoldenTree Asset Management, uma empresa sediada em Nova York que tem US$ 45 bilhões sob gestão e adicionou BTC ao seu balanço no ano passado, contratou recentemente o cogerente de portfólio da BlockTower Capital, Avi Felman, como seu novo chefe de negociação de ativos digitais. Isso é um sinal positivo.

“Hoje, estou vendo pessoas realmente inteligentes se envolvendo” apesar da queda dos preços, disse Talati. “Para mim, eu simplesmente não sinto que vamos ver esse ciclo de quatro anos novamente”, ela brincou.

Isso não significa necessariamente que o halving é irrelevante e não haverá uma corrida de touros do Bitcoin. É que o mercado de criptomoedas amadureceu com vários fatores influenciando as valuations, como é o caso dos mercados tradicionais. Portanto, o ciclo de quatro anos focado no halving que oferece dinheiro fácil talvez esteja morto.

Até onde as criptomoedas vão chegar? Qual a melhor forma de comprá-las? Nós preparamos uma aula gratuita com o passo a passo. Clique aqui para assistir e receber a newsletter de criptoativos do InfoMoney

Compartilhe