China vai atrás da soja americana após mudança fiscal no Brasil

Importadores da China, o maior comprador de commodities do mundo, compraram pelo menos 208 mil toneladas de soja desde que a mudança foi anunciada

Bloomberg

Um agricultor colhe soja perto de Worthington, Minnesota (Scott Olson/Getty Images)

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Uma surpreendente mudança fiscal no Brasil, o maior exportador mundial de soja, está levando os compradores chineses se abastecerem nos EUA.

Os importadores da China, o maior comprador de commodities do mundo, compraram pelo menos 208 mil toneladas de soja desde que a mudança foi anunciada na última terça-feira (4), segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA. As vendas relâmpago foram as primeiras transações do tipo desde janeiro.

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As compras destacam quão difícil será para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprovar a chamada MP das Compensações, que limita a capacidade dos exportadores e processadores de commodities do Brasil de monetizar alguns créditos fiscais. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já considera retirar a decisão após provocar a ira de empresas e do Congresso, segundo pessoas a par do assunto.

“A China está comprando suprimentos dos EUA porque os compradores no Brasil não podem repassar esses custos mais elevados ao agricultor”, disse Victor Martins, gerente de risco para a América Latina da Amius. “Eles estão pagando mais porque as ofertas no Brasil são reduzidas”.

A Abiove, um grupo industrial que representa os principais comerciantes de produtos agrícolas, incluindo os famosos ABCDs – representando Archer-Daniels-Midland, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus – já havia alertado que a medida reduziria os lucros dos processadores de soja. Alguns traders também retiraram do mercado novas ofertas de commodities como soja e milho.

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Os EUA também venderam 152 mil toneladas de milho para destinos desconhecidos no período, movimento que alguns traders também atribuíram à mudança tributária.

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