China quer corte menor no preço do minério da Vale do que de rivais

Para equipe do Credit Suisse, contratos com siderúrgicas chinesas poderão ficar inalterados em 2009 no caso da brasileira

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SÃO PAULO – O período de negociação entre as mineradoras e as siderúrgicas começou no mês de janeiro e, desde então, tentar prever para quanto irá o preço do minério de ferro tornou-se a prioridade de boa parte dos analistas. No final do ano passado, projeções indicavam um cenário devastador, com preços até 40% menores dos que os de 2008.

Neste contexto, a Associação Chinesa de Ferro e Aço afirmou que o país quer uma redução no preço do minério de ferro das angloaustralianas Rio Tinto e BHP superior ao corte para o caso da Vale, já que a brasileira recebera um menor reajuste positivo em 2008.

Em relatório divulgado nessa semana, a equipe do Credit Suisse caminhou no mesmo sentido e trouxe uma opinião depois defendida por Shan Shanghua, secretário da Associação Chinesa de Ferro e Aço: o reajuste proposto pelas principais siderúrgicas deverá ser bastante diferente entre as empresas que atuam no setor.

Brasil vs. Austrália

“As mineradoras Rio Tinto e BHP Billiton sofrerão cortes mais profundos do que a Vale, por exemplo, uma vez que elas aumentaram mais os preços no ano passado”, sugeriu o time de especialistas. “No Brasil, os contratos podem ficar inalterados ou cair até 9% em relação a 2008. No minério australiano, esse desconto deve beirar os 20%”.

No período de negociação anterior, as empresas que exploram o mineral na Austrália conseguiram um aumento de quase 100% na tonelada vendida para a China, enquanto as companhias brasileiras tiveram um ajuste de 71%. A justificativa para a diferença foi o frete, uma vez que é mais barato transportar a commodity partindo da Austrália do que daqui.

“Não haverá equalização se o produto que vier da Austrália tiver o mesmo desconto do que o que sair do Brasil”, defendeu o secretário da Associação Chinesa de Ferro e Aço, em entrevista dada à Bloomberg na última quinta-feira (12). “Isso seria inaceitável”.

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Mudança na base

Ainda enquanto falava ao canal de notícias, Shan Shanghua comentou que, além do reajuste no preço do minério de ferro, as siderúrgicas chinesas estão tentando implementar uma mudança na base de negociação, alterando-a do atual ciclo de um ano para períodos mais curtos, de seis meses.

Segundo o secretário da Associação Chinesa de Ferro e Aço, as principais mineradoras já sinalizaram a favor da medida, embora nenhum acordo tenha sido oficialmente divulgado.