China proíbe empresas do país de comprar chips de IA da Nvidia, diz FT; ação recua

Decisão reforça estratégia de independência em semicondutores e pressiona empresas a usar alternativas domésticas

Paulo Barros

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Logo da Nvidia em Taipé, Taiwan - 
5/6/2024 (Foto: REUTERS/Ann Wang)
Logo da Nvidia em Taipé, Taiwan - 5/6/2024 (Foto: REUTERS/Ann Wang)

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O governo chinês proibiu que grandes companhias de tecnologia do país, como Alibaba e ByteDance, comprem chips de inteligência artificial da Nvidia (BDR: NVDC34), segundo apurou o Financial Times. A medida foi comunicada nesta semana pela Administração do Ciberespaço da China (CAC), que ordenou a suspensão de testes e pedidos do modelo RTX Pro 6000D, desenvolvido especificamente para o mercado local.

Antes da decisão, várias empresas planejavam adquirir dezenas de milhares de unidades do chip e já haviam iniciado trabalhos de verificação com fornecedores de servidores. Após o veto, esses processos foram interrompidos, afirmaram fontes ouvidas pelo jornal.

Em meio à notícia, as ações da Nvidia recuavam 1% nas negociações pré-mercado em Nova York.

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O bloqueio amplia restrições anteriores, que se concentravam no chip H20, outro modelo adaptado para atender às regras de exportação impostas por Washington. Segundo pessoas próximas às discussões, autoridades concluíram que processadores produzidos por empresas chinesas, como Huawei e Cambricon, já atingiram desempenho equivalente ou superior aos modelos da Nvidia disponíveis no país.

“A mensagem agora é clara”, disse ao Financial Times um executivo do setor. “Antes havia esperança de retomada no fornecimento da Nvidia se o cenário geopolítico melhorasse. Agora é mobilização total para desenvolver o sistema doméstico.”

O movimento ocorre em meio à pressão de Pequim para reduzir a dependência tecnológica em relação aos EUA e fortalecer sua indústria local de semicondutores, considerada estratégica na corrida global por avanços em inteligência artificial. A medida também vem pouco depois que reguladores chineses acusaram a Nvidia de violar leis antitruste.

Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, declarou em Londres que discutiria o tema com Donald Trump durante a visita de Estado do presidente dos EUA ao Reino Unido. “Podemos estar a serviço de um mercado apenas se o país quiser. Estou desapontado com o que vejo, mas entendo que existem agendas maiores entre China e EUA. Somos pacientes”, disse Huang.

Em julho, a Nvidia havia lançado o RTX Pro 6000D em Pequim, último produto da empresa liberado para vendas em escala no mercado chinês. Agora, com a restrição, autoridades reforçam a orientação para que companhias locais priorizem fornecedores nacionais.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)