China preocupa, bancos enfrentam teste e bolsas europeias caem com força

China revisa indicador econômico para baixo; capacidade de financiamento dos bancos será exposta na próxima sessão

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SÃO PAULO – As principais bolsas europeias encerraram com fortes quedas no pregão desta terça-feira (29), ao passo que investidores preocupam-se com a saúde econômica da China e dos Estados Unidos em função de indicadores econômicos decepcionantes. Além disso, a instabilidade traz à tona também temores em relação ao sistema financeiro europeu.

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 FTSE 100 -3,10 4.914 -5,29 -9,21 
 DAX 30 -3,33 5.952 +0,10 -0,09 
 CAC 40 -4,01 3.433 -2,33 -12,79 
 SMI -2,64 6.144 -2,81 -6,13 
 FTSE MIB -4,44 19.236 -1,23 -17,26 

Todas as ações dos principais índices de bolsa do continente (DAX 30, CAC 40 e FTSE 100) encerraram em campo negativo nesta sessão. Em Madri, o Ibex 35 recuou 5,45%, para 9.160 pontos.

China preocupa
O leading indicators para a China, compêndio que reúne alguns dos principais dados econômicos do país sobre o mês de abril, cresceu cerca de 0,3%, em vez da expansão de 1,7% divulgada anteriormente, segundo a Conference Board.

Além da revisão para baixo, as incertezas com relação à apreciação do yuan, a queda na expansão do crédito ao setor imobiliário e as medidas de redução de gastos na Europa também são vetores que colocam em xeque o crescimento do gigante asiático.

Nos EUA, a Conference Board divulgou a confiança do consumidor norte-americano, que ficou bem abaixo do esperado no mês de junho. O Consumer Confidence indicou 52,9 pontos no mês, inferior às expectativas do mercado, que indicavam 62,0 pontos. Vale ressaltar que o indicador mostra significativos sinais de piora em comparação com o mês de maio, cujo resultado foi revisado de 63,3 pontos para 62,7 pontos.

Demanda ameaçada?
O noticiário econômico da sessão trouxe forte recuo às commodities, o que colaborou para as quedas acentuadas apresentadas por empresas do setor. Em Londres, a mineradora Rio Tinto despencou 6,39%, acompanhada por Xstrata (-6,07%) e BHP Billiton (-5,82%). Em Paris, a Lafarge, produtora de cimento, caiu 4,79%. Em Frankfurt, a siderúrgica ThyssenKrupp recuou 3,96%.

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Setor financeiro enfrenta teste
A saúde dos principais bancos europeus pode ser revelada na próxima sessão, quando o Banco Central Europeu irá oferecer empréstimos com vencimento de três meses, antes a que as instituições tenham que pagar uma dívida de € 442 bilhões com a instituição no dia 1º de julho, empréstimos estes que fizeram parte de um esforço do BCE para combater a crise financeira.

A demanda por esse empréstimo de curto prazo irá expor o quanto os bancos ainda dependem do BCE para financiamento.De acordo com o Financial Times, bancos espanhóis estão fazendo lobby para que a instituição tome atitudes que amenizem o impacto desse vencimento. 

Em Paris, o setor foi bastante afetado, também por causa de sua exposição à títulos de dívida pública de países europeus. O Crédit Agricole liderou as perdas, ao apresentar desvalorização de 7,94%. BNP Paribas e Société Générale acompanharam a movimentação, com recuo de 6,92% e 6,45%, respectivamente.

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Em Frankfurt, o Deutsche Bank (-4,18%) e o Commerzbank (-2,92%) também recuaram, embora com menor intensidade. De acordo com a Bloomberg, as duas instituições passaram em testes de estresse que avaliaram como 25 instituições do setor iriam reagir a uma recessão econômica, citando pessoas familiares com o resultado.

Outro destaque na cena corporativa fica por conta da Vodafone. Os papéis da companhia recuaram 2,6% após o Credit Suisse ter rebaixado sua recomendação para as ações para “neutra”.

Em meio a temores, um indicador positivo
Embora o cenário nesta terça-feira tenha sido de forte mau humor nos mercados, a confiança dos europeus com relação ao panorama econômico registrou uma inesperada elevação no mês de junho. De acordo com a Comissão Europeia, o indicador que aufere a confiança dos consumidores na Zona do Euro subiu de 98,4 pontos em maio para 98,7 pontos.