Mercado imobiliário

China estuda desmontar Evergrande para conter crise de dívida

Segundo fontes, os recursos gerados com a venda de ativos seriam usados para pagar credores

Por  Bloomberg -

(Bloomberg) – Autoridades chinesas estudam uma proposta de desmontar a China Evergrande Group com a venda da maior parte dos ativos da incorporadora imobiliária, segundo pessoas a par do assunto.

A proposta de reestruturação – apresentada a Pequim por representantes da província de Guangdong, onde fica a sede da companhia – inclui a venda da maioria dos ativos, a não ser as divisões de gestão imobiliária e veículos elétricos, que têm listagem separada. As fontes pediram anonimato porque as discussões têm caráter privado.

De acordo com essas pessoas, um grupo liderado pela China Cinda Asset Management, estatal especializada em gestão de dívidas de recebimento duvidoso e grande credora da Evergrande, assumiria todos os imóveis que não forem vendidos.

Se for aprovado pelo alto escalão em Pequim, o plano representaria o maior passo do governo de Xi Jinping para evitar que um colapso da incorporadora mais endividada do mundo abale os mercados financeiros e a economia da China. A movimentação antecede a importante transição da liderança do Partido Comunista ainda neste ano.

Os recursos gerados com a venda de ativos seriam usados para pagar credores. Não está claro até que ponto os bancos e detentores de títulos serão forçados a aceitar descontos nas dívidas que têm a cobrar da Evergrande.

Autoridades reguladoras vêm repetindo publicamente que os riscos associados ao endividamento da Evergrande e de outras companhias do setor imobiliário devem ser tratados de forma “orientada para o mercado”.

Com valor de mercado somado de quase US$ 9 bilhões, os empreendimentos de gestão imobiliária e veículos elétricos da Evergrande inicialmente ficariam intactos sob a proposta, mas podem ser vendidos no futuro, acrescentaram as pessoas ouvidas pela reportagem.

Uma conta de custódia para esses ativos ofereceria alguma proteção a investidores do exterior, disse uma das fontes.

A eventual aprovação de Pequim iniciaria o desmonte da incorporadora fundada 25 anos atrás por Hui Ka Yan, bilionário que hoje preside o conselho da companhia. Provavelmente, a proposta também desencadearia demoradas disputas em torno de quem será pago com o valor que resta na empresa.

O tamanho dos descontos nos valores que os credores têm a receber será examinado de perto pelos investidores, em busca de pistas sobre como Xi planeja equilibrar objetivos frequentemente conflitantes, como reduzir o risco moral no sistema financeiro e manter a estabilidade econômica.

A expectativa generalizada é que ele abra precedente neste ano e obtenha um terceiro mandato – talvez se mantendo no cargo por ainda mais tempo. Xi vem tentando conter a classe de bilionários do país como parte da campanha de “prosperidade comum” que visa diminuir a desigualdade de renda entre a população.

O compromisso de Xi para limitar os excessos financeiros do setor imobiliário surpreendeu muitos investidores, mas o governo recentemente voltou atrás nas medidas de contenção em meio a preocupações com um contágio em todo o setor.

O Fundo Monetário Internacional alertou na terça-feira que a desaceleração do mercado de imóveis residenciais na China está entre os riscos para o crescimento da economia global.

Respondendo a perguntas enviadas pela Bloomberg, a Cinda afirmou “não ter qualquer informação relevante para divulgar no momento”. Funcionários da Evergrande e do governo de Guangdong não responderam aos pedidos de comentário da reportagem.

A publicação REDD noticiou alguns aspectos da proposta de Guangdong na semana passada, acrescentando que as autoridades podem anunciar um plano antes de 5 de março.

A Evergrande afirmou em comunicado divulgado na quarta-feira que planeja apresentar uma proposta preliminar de reestruturação dentro de seis meses.

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