Em meio à guerra

China diz estar disposta a mediar conflito na Ucrânia

Ministro chinês afirmou ainda que a amizade entre ambos “é sólida como rocha”

Por  ANSA Brasil -

(ANSA) – O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou nesta segunda-feira (7) que seu governo está disposto a “fazer as necessárias mediações” e em “participar da mediação internacional” para encerrar a guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Em um coletiva de imprensa, Wang pontuou que Pequim continuará “a desenvolver um papel construtivo para facilitar o diálogo e pela paz, trabalhando ao lado da comunidade internacional para desenvolver as necessárias mediações”.

“Precisamos prevenir uma crise humanitária em larga escala”, pontuou ainda. Questionado sobre as relações entre Rússia e China, que foram ponto de uma renovação do acordo de boa vizinhança em dezembro do ano passado, o ministro afirmou que elas continuam firmes e que a amizade entre ambos “é sólido como rocha”.

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“As relações China-Rússia não são admiradas pela sua independência. Se baseiam na não aliança, no não confronto e em não colocar na mira qualquer terceira parte. Manteremos o foco estratégico global de coordenação para uma nova era”, destacou o ministro.

A invasão russa na Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro, coloca Pequim em uma situação bastante delicada no cenário internacional, já que os russos são grandes parceiros na política externa e na “oposição” aos Estados Unidos em diversos cenários.

Por outro lado, os chineses também vivem situações críticas com grupos de independência em seus territórios, especialmente, em Taiwan e Hong Kong.

Defender uma invasão seria uma contradição ao seu discurso de soberania das nações constituídas. Por isso, os chineses tentam manter uma certa neutralidade, inclusive com abstenções nas votações no Conselho de Segurança e na assembleia extraordinária das Nações Unidas que aprovaram resoluções acusando a Rússia pelo ataque.

Questionado na coletiva sobre o caso específico de Taiwan, território que conta inclusive com a presença de pequenos grupos de militares norte-americanos, Wang disse que “as questões de Taiwan e da Ucrânia são de natureza diferente e não há comparação entre ambas”.

“Taipei é parte inalienável do território chinês e isso é uma questão interna. As autoridades [de Taipei] não querem reconhecer o princípio da ‘China Única’, tentam estragar o status quo e, no fim, estragarão o seu futuro”, afirmou. Sobre a influência dos EUA na região indo-pacífica, onde ficam os territórios, Wang disse que a estratégia de Washington “é estabelecer uma versão local da Otan”.

Recentemente, o governo de Joe Biden fechou um acordo para enviar submarinos e ajuda militar para a Austrália, em uma parceria que conta com o Reino Unido e que também causou briga com a União Europeia. Wang pediu que os EUA “olhem as relações bilaterais com raciocínio, voltando a um desenvolvimento estável e sadio” e que os dois países deve mirar “nos três princípios: de respeito recíproco, da coexistência pacífica e da cooperação vantajosa para todos”.

Assim como a Rússia vê a Ucrânia, a China vê a região indo-pacífica como sua área de influência e não aceita que os norte-americanos tentem ter espaço ali. (ANSA).

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