China deve garantir expansão do mercado de metais, diz HSBC

Apesar do risco de recessão nos EUA e Europa, e a possível desaceleração do país asiático, ainda há espaço para crescimento

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SÃO PAULO – “Mesmo em um ambiente econômico moderado, as taxas de demanda por metais devem continuar altas”. É a partir dessa premissa que o HSBC constrói o cenário para o minério de ferro frente ao risco crescente de repique recessivo nos EUA e na Europa.

Como de praxe nas última décadas, a China é a principal responsável pela perspectiva de manutenção da expansão da demanda por minério de ferro apesar da deterioração econômica que se observa em boa parte do planeta, pois, sozinha, consome entre 40% e 50% de todas as commodities produzidas.

O analista Jonathan Brandt, que assina o relatório, explica que o mais importante indicador de sustentação para o minério de ferro está no PIB (Produto Interno Bruto) chinês, que segundo o HSBC irá crescer 8,9% e 8,6% em 2011 e 2012, respectivamente.

Sem freio
A opinião do banco está em linha com a posição do economista chinês Qu Hongbin, que vê poucas possibilidades de freada abrupta da economia de seu país. Para ele, as projeções do PIB da China “são motivadas pelo crescimento nas regiões do interior da China, que não passaram pela mesma desaceleração observada nas cidades litorâneas”, explica.

O economista acredita que “a falta de infraestrutura nas regiões do interior do país indica crescimento ainda resiliente nos investimentos em construção”, completa o HSBC.

Através de uma análise mais conservadora, o banco simula uma desaceleração do crescimento PIB chinês para 8% e o PIB mundial, excluindo o país asiático, fique em 0%. Ainda assim, a demanda global por metais seria positiva em 0,4%.

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Confiança
“Entretanto, acreditamos que o mercado fará uma distinção entre os fundamentos (na qual a demanda por commodities pode continuar a ser positiva) e a percepção. Embora nossa análise indique uma demanda contínua por commodities até que o crescimento do PIB chinês chega a 5%, acreditamos que a percepção do investidor passaria a muito negativa nesse nível de PIB, resultando em uma queda severa no mercado”, avalia Brandt.

Ou seja, um cenário no qual a China desacelere para um crescimento de 8% ao ano, resultaria numa queda na confiança geral do mercado, recrudescendo ainda mais a economia global e, consequentemente, puxando o preço do minério para patamares mais baixos.

“A oferta na maior parte dos mercados está crescendo devido ao aumento nos investimentos, mas de forma geral, apenas taxas de crescimento da demanda abaixo de 3% despertarão preocupações, e uma mudança no sentido de outra contração é um grande catalizador negativo para o setor”, avalia Brandt.

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Pesos e medidas
Efetuando uma análise de correlação entre crescimento e demanda por minério de ferro, o HSBC concluí que usualmente “o crescimento econômico é correlacionado de forma positiva e confiável com o uso de metais com uma intercepção em torno de 2%”. Ou seja, as economias desenvolvidas geralmente necessitam crescer mais do que 2% para evitar a retração da demanda por metais.

Já no caso da China, a relação é distinta, mas segundo o banco, ainda é aceitável. Através de uma regressão até os anos 90, quando o boom de crescimento do país teve início, pode-se inferir que a demanda por metais é mais ligada ao crescimento do PIB do que as economias centrais.

Segundo o HSBC, a intercepção está em 5,5% – “ou seja, o crescimento do PIB chinês precisa atingir 5,5% de acordo com esse relacionamento, para evitar uma contração da demanda por metais”, explica.

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Mudança chinesa
Como consequência, Brandt demonstra maior tranquilidade quanto às perspectivas para o setor, uma vez que a análise leva em conta momentos distintos do dinâmico desenvolvimento chinês, “é provável que o relacionamento da demanda por metais lentamente mude para os das nações mais desenvolvidas”.

Tal transformação decorre de uma mudança para um perfil de consumo que implica em “demanda mais constante, motivada pelo consumidor de produtos linha branca, embalagens e bens de consumo e não pelos fluxos abundantes de estímulo/infraestrutura”, completa o analista.

Projeção e ameaça
“Na projeção da equipe econômica do HSBC, a demanda por metais provavelmente se situará em uma média maior que 5%, embora o enfraquecimento no PIB chinês em direção a 5% seja uma ameaça clara para os balanços do mercado”, concluí o banco.