China: demanda por commodities deve recuar e crescimento desacelerar

Avanço do PIB chinês deve mudar de foco, passando para consumo; governo pode agir para aliviar tendência, diz economista

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SÃO PAULO – Após alguns consumidores chineses de carvão térmico e minério de ferro pedirem para adiarem suas encomendas por conta de preços pouco atrativos, o sentimento em relação ao crescimento do gigante asiático mudou. Assim, a China mostra demanda menor por commodities, o que preocupa parte do mercado. 

Dong Tao, economista do Credit Suisse, destaca que o recuo dos preços ocorreu por conta dos dados da indústria chinesa, que mostraram fraqueza. Além disso, o sentimento geral do mercado, bastante pessimista por conta da crise na Europa, contribuiu para a queda do preço. Tao lembra ainda que as empresas estão com estoques elevados – o que colabora para esse sentimento negativo em relação às matérias-primas por lá. 

Crescimento deverá focar consumo
Para o economista, essa tendência ainda deve piorar, já que o crescimento chinês deve desacelerar de 10,7% por ano, a média dos últimos dez anos, para aproximadamente 7% a 8% ao ano na próxima década. Tao afirma que a principal locomotiva para o crescimento também deve mudar de exportações e investimentos para o consumo, o que por si só demanda menos commodities. O cenário é péssimo para a Vale (VALE3; VALE5), que exporta boa parte de sua produção para a China. 

“Gostaria de salientar que o governo chinês percebeu e está tomando medidas para suavizar essa tendência”, afirma Tao. Assim, a expectativa do economista do Credit Suisse é que o Estado anuncie novos investimentos em projetos de infraestrutura, medidas fiscais para permitir uma reforma tributária e subsídios ao consumo nos próximos meses.