Gigante asiático

China dá alívio na economia e mostra que o pior ficou para trás – mas ainda há razões para cautela

Importações e exportações surpreenderam positivamente, mas uma análise mais atenta mostra para desaceleração da demanda do gigante asiático

SÃO PAULO – Para quem estava bastante pessimista com as perspectivas para a economia da China, os dados divulgados nesta quinta-feira (14) foram um motivo de alívio.

O país divulgou os seus dados da balança comercial de janeiro superando de longe o esperado, e dando sinais sobre o que aconteceu no segundo mês em que vigorou a trégua comercial de 90 dias entre EUA e Pequim. 

O superávit comercial foi de US$ 39,16 bilhões, ante previsão de US$ 25,45 bilhões, com as importações desacelerando o ritmo de queda para 1,5% ante a forte queda de 7,6% em dezembro. O número surpreendeu ainda mais em meio à expectativa de tombo de 11%.

PUBLICIDADE

Para completar os dados positivos, as exportações subiram inesperadamente, com alta de 9,1% em janeiro e revertendo a baixa de 4,4% observada em dezembro. Mais ainda, ficou na contramão da queda de 4,1% esperada pelo mercado. 

Esses dados, somados às falas do presidente dos EUA, Donald Trump, de que as “negociações com a China estão indo muito bem” ajudaram a diminuir os temores sobre os efeitos da guerra comercial.

Os números de dezembro, conforme apontam os economistas do Credit Suisse, foram consistentes com a percepção de que as importações sofreram bastante com as incertezas sobre as relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo. Em janeiro, o cenário mais tranquilizador teve efeito nos números da balança comercial. 

Os dados mostram que o “pior ficou para trás”, avalia o Credit Suisse, ainda mais levando em conta o cessar-fogo entre China e EUA. Porém, ainda é preciso ter cautela: a queda na demanda doméstica (vale ressaltar que as importações tiveram baixa, ainda que abaixo do esperado) deve segurar uma potencial recuperação muito forte de curto prazo nas importações. 

Os economistas apontam que especificamente a importação de matérias-primas permanece fraca, sugerindo o mesmo ritmo de crescimento da demanda doméstica. Mas a recuperação pode ocorrer com os projetos de infraestrutura anunciados recentemente pelo governo chinês. 

“Olhando para frente, continuamos a esperar uma demanda doméstica e atividade industriais para a China nos próximos meses fracas mas, em termos de crescimento, o pior parece ter ficado para trás”, afirmam os economistas.

PUBLICIDADE

Assim, a China deu um alívio para o mercado nesta quinta ao apresentar os números da balança comercial. Porém, o cenário ainda é de cautela e ainda é cedo para dizer que o país retomou o crescimento da sua economia.

Para que o mercado retome o seu otimismo com o gigante asiático, além de mais números mostrando a recuperação da atividade, serão necessários mais avanços nas negociações comerciais com os EUA, além de mais indicações de que o país está mudando o seu modelo de crescimento para mais consumo ante mais investimento, atualmente uma das grandes preocupações do mercado quanto ao futuro da segunda maior economia global. 

Proteja seus investimentos das incertezas: abra uma conta na XP e conte com assessoria especializada e gratuita!