China compra mais petróleo brasileiro e quadruplica venda de carros elétricos

Transações com país asiático renderam à corrente nacional um superávit de US$ 19,8 bilhões, ou quase metade do saldo positivo de todas as transações fechadas pelo Brasil globalmente de janeiro a junho

Agência O Globo

Linha de produção de veículos elétricos da Jiangling Group Electric Vehicle (JMEV), em Nanchang, na China 22/10/2024 (Foto: Kevin Krolicki/Reuters)
Linha de produção de veículos elétricos da Jiangling Group Electric Vehicle (JMEV), em Nanchang, na China 22/10/2024 (Foto: Kevin Krolicki/Reuters)

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As exportações do Brasil para a China no primeiro semestre deste ano foram recordes, com um salto em remessas de petróleo bruto e carne bovina, registrando um crescimento de 22%, na comparação com igual período de 2025, a US$ 58,3 bilhões. Já as importações subiram 8%, a US$ 38,5 bilhões, puxadas por uma onda de veículos eletrificados.

As transações com o país asiático, principal parceiro comercial brasileiro, renderam à corrente nacional um superávit de US$ 19,8 bilhões, ou quase metade (47%) do saldo positivo de todas as transações fechadas pelo Brasil globalmente de janeiro a junho.

O movimento reflete o rearranjo do comércio internacional em decorrência do efeito do conflito no Oriente Médio no fluxo de petróleo, além da crescente demanda por veículos eletrificados e por semicondutores, segundo relatório do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

O comércio com os Estados Unidos, o segundo maior parceiro comercial brasileiro, ficou em US$ 36,4 bilhões nos primeiros seis meses deste ano.

Produtos

Na frente deste avanço no comércio entre Brasil e China estão soja, minério de ferro e petróleo, que somam 76,5% das exportações brasileiras ao parceiro, ampliando as remessas da indústria extrativista. Com o mercado chinês impactado pelos bloqueios no Estreito de Ormuz, os embarques de petróleo do Brasil cresceram 62% em valor ante maio e junho de 2025, um desempenho recorde, combinando uma expansão de 41% em volume a uma alta no preço da commodity de 15,7%. O país asiático compra mais da metade (54%) das exportações de petróleo brasileiras.

— O que chamou a atenção foi o petróleo. O Brasil acabou se tornando um parceiro estratégico para a China. A parada no tráfego pelo Estreito de Ormuz tem consequências no comércio com a China, que tem 50% de suas importações de petróleo passando pela região. Daí as exportações brasileiras subirem 62% para o país — destaca o diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC, Tulio Cariello: — A sinalização para o ano como um todo é de recorde em exportações. Em importações, não dá para garantir, pelo limite em carros elétricos.

Em março, abril e junho, as exportações de petróleo bruto do Brasil para a China bateram nos valores mais altos da série iniciada em 1997, com pico de US$ 3,35 bilhões em março, mês seguinte ao início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. No semestre, somaram US$ 15,1 bilhão, mais que o dobro das exportações totais do Brasil para a Argentina no período, que ficaram em US$ 7,3 bilhões.

A reboque do petróleo, o Rio de Janeiro é o estado líder em exportações à China no período, abocanhando 23,3% das vendas totais do Brasil para o país asiático.

Embarque antecipado de carne

Cariello se diz “cauteloso” sobre avaliar que o tarifaço de Donald Trump imprimiu efeito nessa expansão do comércio bilateral entre Brasil e China.

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— As pautas exportadoras do Brasil para os EUA e para a China são bem diferentes. Não há um deslocamento natural de um mercado para o outro — ponderou ele: — Os EUA tem uma influência mais indireta, pelo envolvimento no conflito em Ormuz, que impactou as exportações do Brasil à China.

As exportações de carne bovina brasileiras para o país asiático dispararam 50% no primeiro semestre, somando US$ 4,8 bilhões. Somente em junho foram 158 mil toneladas e US$ 1,07 bilhão em vendas, maior volume em exportação e faturamento de 2026. É movimento que reflete a adoção de barreiras a essa exportação brasileira, com cota de 1,1 milhão de toneladas este ano com imposto de 12%. A partir desse patamar, que já foi alcançado, incide uma sobretaxa de 55%.

Como essa cobrança adicional retira competitividade da carne bovina brasileira no mercado chinês, o executivo entende que pode haver recuo nas exportações neste segundo semestre, quando os frigoríficos brasileiros possivelmente terão de redirecionar seus produtos para outros países ou para o mercado interno.

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Em paralelo, as remessas de carne de frango para a China voltaram a crescer. No ano passado, Pequim suspendeu essas importações do Brasil por seis meses, entre maio e novembro, após a identificação de um único caso de gripe aviária em uma granja no Rio Grande do Sul. Entre janeiro e junho, as vendas brasileiras de carne de frango para o mercado chinês somaram US$ 772 milhões, 43% a mais que no primeiro semestre de 2025.

Importação de veículos elétricos quadruplica

No sentido contrário, os veículos eletrificados lideram de forma acelerada, representando 15% das importações brasileiras totais do parceiro asiático de janeiro a junho, ou US$ 2,79 bilhões. As compras de carros híbridos plug-in dobraram, enquanto as de elétricos foram multiplicadas por quatro. Já os veículos híbridos saltaram para o sexto lugar no ranking da pauta de importações feitas pelo Brasil da China, ante a 25º em igual período de 2025.

Ao todo, as importações de veículos eletrificados chineses alcançam 88% do total trazido pelo mercado brasileiro do exterior. Os desembarques no Brasil são realizados pelo Espírito Santo.

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O CEBC destaca que esse avanço é consequência do esforço de importadores brasileiros para antecipar embarques antes do aumento da tarifa sobre veículos eletrificados, que subiu de 25% para 35% a partir deste mês.

— É um volume sem comparação. E como existe o aumento do imposto de importação, os carros eletrificados tiveram movimento similar ao da carne bovina, com importadores antecipando compras — diz Cariello. — A tendência é de acomodação nos próximos meses porque tem novas marcas chinesas chegando ao Brasil e já temos fábricas de BYD e GWM no país.

Os veículos eletrificados vêm seguidos dos chips de memória. Neste caso, as importações recuaram em 2,6% em volume, mas o faturamento registrou um aumento de 218%, passando a US$ 432 milhões, sob impacto da demanda aquecida por semicondutores globalmente.

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