Revés no setor

China agrava caos com força maior em contratos de commodities

“Este vírus é um risco totalmente diferente, especialmente em commodities, onde o papel da China domina", afirma economista

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(Bloomberg) — Empresas chinesas começam a deixar de cumprir contratos de compra por causa da propagação do coronavírus e agravam o caos no comércio global de commodities.

Um cliente chinês de gás natural liquefeito (GNL) e um importador de cobre declararam força maior, o que significa que estão suspendendo acordos, já que o vírus restringe a capacidade de receber entregas. Os cancelamentos estão entre os primeiros casos conhecidos da cláusula usada em contratos de commodities devido à epidemia.

“Tudo o que tínhamos medo, como guerras comerciais ou crescimento global, não se compara”, disse Jan Stuart, economista global de energia da Cornerstone Macro. “Este vírus é um risco totalmente diferente, especialmente em commodities, onde o papel da China domina.”

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A China é o maior consumidor mundial da maioria de matérias-primas, como produtos de energia e metais industriais, e o cancelamento das compras causa impacta cadeias de fornecimento globais. No momento em que os mercados globais se recuperam dos temores iniciais sobre o impacto do vírus, as consequências no comércio de commodities só pioram, já que Pequim mantém áreas do país bloqueadas e restringe as viagens.

Em um passo sem precedentes, a China National Offshore Oil, maior importadora de GNL do país, declarou força maior e disse a alguns fornecedores que não aceitaria entregas de cargas por causa de restrições causadas pelo coronavírus. A gigante francesa de petróleo e gás Total rejeitou a declaração.

Horas depois, a processadora de cobre chinesa Guangxi Nanguo também havia declarado a mesma cláusula, recusando entregas de mercadorias.

Enquanto isso, clientes de cobre têm pedido que mineradoras chilenas adiem embarques por causa de paralisações nos portos, enquanto a maior refinaria de petróleo da China, a Sinopec, planeja pedir à Arábia Saudita uma redução da oferta de petróleo no próximo mês. Carregamentos de soja do Brasil e dos EUA estão sendo segurados no leste da China, enquanto embarques de óleo de palma da Indonésia também estão sendo adiados.

“Estamos realmente preocupados com a perda de poder de compra que se espalhou por todas as divisões de commodoties”, disse Pete Thomas, vice-presidente sênior da corretora Zaner, com sede em Chicago. “O impacto foi muito maior do que todos imaginavam.”

No caso do GNL, a força maior da CNOOC afeta um mercado já saturado pelo aumento da oferta dos EUA e pela fraca demanda após um inverno ameno na Europa e Ásia. Mesmo antes de os clientes chineses suspenderem contratos de fornecimento, os preços à vista haviam caído para uma mínima histórica, reduzindo a rentabilidade de gigantes de energia como Royal Dutch Shell e Exxon Mobil.

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A CNOOC enviou o aviso de força maior a fornecedores, incluindo Shell e Total, de acordo com pessoas a par do assunto, que não quiseram ser identificadas. A Shell não quis comentar.

A Total confirmou que recebeu uma notificação de força maior, que foi rejeitada após análise dos termos legais, disse Philippe Sauquet, presidente do grupo para gás, fontes renováveis e energia, durante apresentação da empresa.

“É claro que temos que ter cuidado, se houver uma quarentena real em todos os portos de descarga na China, teremos um caso real de força maior”, afirmou. “Mas, por enquanto, esse não é o caso. Para mim, é uma negociação comum.”

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