ChatGPT gerou depoimentos falsos em recurso de caso de homicídio nos EUA

Tribunal multou na quarta-feira o advogado, Stephen Aarons, e o considerou culpado por desacato por não ter verificado ‌a exatidão do documento apresentado ao tribunal

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WASHINGTON, 11 Set (Reuters) – Um advogado de ⁠defesa que estava recorrendo da condenação de seu cliente ⁠por homicídio apresentou uma petição contendo depoimentos policiais falsos e testemunhas fabricadas pelo ‌ChatGPT, da OpenAI, informou a Suprema Corte do Novo México.

O tribunal multou na quarta-feira o advogado, Stephen Aarons, e o considerou culpado por desacato por não ter verificado ‌a exatidão do documento apresentado ao tribunal. Aarons afirmou ter preparado o documento com ajuda da IA.

O documento “continha depoimentos falsos de testemunhas totalmente inventadas”, afirmou o tribunal.

O tribunal também disse que Aarons “demonstrou falta de remorso e falta de preocupação com seu cliente”. Os juízes multaram Aarons em US$5.000 e disseram que o encaminharão a um conselho disciplinar da Ordem dos ⁠Advogados ‌para investigação.

Em declaração à Reuters, Aarons afirmou que havia usado o ChatGPT para resumir ⁠os autos do julgamento quando concordou em assumir o recurso do réu no ano passado, e que não compreendia até que ponto a IA poderia “inventar” fatos.

“Estou arrependido, mas tenho esperança de que o conselho disciplinar leve em consideração que foi um erro involuntário”, disse. “É uma lição aprendida para todos os profissionais que dependem dessa ​tecnologia poderosa, mas às vezes instável.”

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A OpenAI não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

A sanção do tribunal é o mais recente de um número crescente de ​casos em que juízes estaduais e federais puniram advogados por apresentarem documentos judiciais gerados por ferramentas de IA sem verificá-los adequadamente.

Dezenas de advogados foram punidos por apresentar petições nas quais a IA inventou citações de casos ou citou erroneamente a lei. O documento apresentado por Aarons parece ter ido além, contendo depoimentos de testemunhas fabricados em um ‌recurso criminal.

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Aarons, um advogado particular com sede em Santa ​Fé, estava cuidando do recurso de Oscar Renee Sandoval, que se declarou inocente no caso de assassinato da mãe de seus filhos, antes de ser condenado e sentenciado no ano passado à prisão perpétua.

O recurso ainda ⁠está pendente e foi atribuído, ​em 2 de setembro, ​a Kim Chavez Cook, uma defensora pública do Novo México. Cook se recusou a comentar.

A Promotoria do condado de ⁠Doña Ana também se recusou a comentar.

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A Suprema ​Corte estadual ordenou no mês passado que Aarons explicasse como o material forjado — que, segundo a corte, parecia incluir “declarações fictícias de que o atirador usava calças escuras e uma camisa branca” — foi ​incluído em sua petição inicial no recurso.

Aarons disse ao tribunal, em uma audiência realizada em 21 de agosto, que inseriu uma transcrição gerada por ​computador e outros materiais do ⁠caso no ChatGPT, presumindo que o sistema geraria “um resumo à prova de balas”.

Os juízes mostraram-se incrédulos diante do fato ⁠de Aarons não estar plenamente ciente de como a IA pode cometer erros.

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“Advogado, o senhor assiste ao noticiário? O senhor ouve rádio? O senhor lê alguma coisa sobre o que está acontecendo no mundo?”, perguntou a juíza C. Shannon Bacon na audiência. “Porque o problema de advogados confiarem em alucinações da IA é uma notícia de primeira página todos os dias.”

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