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SÃO PAULO – Embora as chances de que um evento de crédito, como quando da quebra do Lehman Brothers em 2008, ocorra novamente tenham aumentado, a Itaú Corretora acredita que ainda é um cenário “alternativo”, para a economia mundial. Assim, o mais provável é que a Europa arrume seus problemas de forma ordenada.
Contudo, ainda é possível que isso ocorra, o que prejudica o desempenho dos mercados, temerosos de que algum banco declare falência ou algum país declare moratória. “O estresse financeiro de hoje em dia reflete e reforça o risco de um incidente similar ao de 2008”, afirma Ilan Goldfajn, economista-chefe da corretora, em relatório.
Fugir do contágio
O continente europeu não vive dias tranquilos e o que deverá ocorrer é uma reestruturação da dívida do país que mais tem apresentado problemas: a Grécia. Deverá haver também um esforço político para evitar o contágio da situação grega as outras economias europeias. “As autoridades planejam capitalizar os bancos e alavancar o EFSF (European Financial Stabilization Facilities)” mais algumas vezes. Além disso, o BCE (Banco Central Europeu) também deverá prover injeções de liquidez”, diz Goldfajn.
O cenário, porém, não é tranquilo, já que alguns países deverão sofrer cortes em seus ratings soberanos, a incerteza deverá continuar elevada e investidores continuarão a perder dinheiro – além de que o crescimento global também deverá passar por uma desaceleração em 2012.
“Impedir o contágio é custoso e incerto. Alavancar o fundo de resgate não é mágico, e alguém tem que tomar o risco”, diz o economista. A falta de coordenação política deverá impedir resoluções tranquilas, destaca o economista, mas a proximidade de uma calamidade deverá fazer com que os políticos optem por tomar alguma decisão.
Evitar um evento de crédito é importante: a economia entraria em forte recessão, o preço das commodities recuaria e o dólar fortaleceria com a busca dos investidores por maior segurança. “Além disso, os bancos centrais de países emergentes cortariam suas taxas de juros e o EUA avançaria com o Quantive Easing”, finaliza Goldfajn. A situação, porém, difere de 2008, visto que as economias avançadas atualmente possuem menos metódos de estimular a recuperação, fazendo com que a crise perdure por mais tempo.