Chance do Fed elevar mais uma vez juros em 2016 ultrapassa os 50% após Payroll

Segundo estimativas da Bloomberg, aumentou em 8,6 ponto percentual a probabilidade do Fed elevar os juros este ano após o Relatório de Emprego americano

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SÃO PAULO – O Relatório de Emprego dos Estados Unidos veio bem mais fraco do que o esperado nesta sexta-feira (5) em relação à criação de novas vagas. Foram 151 mil, contra 188 mil pela expectativa mediana dos economistas. Em condições normais de temperatura e pressão isso seria uma notícia positiva para quem não quer que o Federal Reserve eleve mais os juros, já que mostra uma fraqueza da economia americana que torna perigoso um novo aumento das taxas. 

No entanto, este não é o único dado importante a ser olhado. Entre outros destaques do relatório estão a queda do desemprego para o menor nível desde 2008, em 4,9% e o aumento bem acima do esperado dos ganhos salariais, que foi de 0,5% contra 0,3% de perspectiva. Isso explica o porquê do mercado operar entre perdas e ganhos: os investidores estão “confusos” acerca de como repercutir os dados. Muitas revisões de projeção para aumento de juros do Fed este ano foram feitas após o relatório. 

No geral, o que o mercado está vendo agora é uma chance de mais de 50% do Fed elevar os juros mais uma vez esse ano. Segundo dados do Terminal Bloomberg, cresceu em 8,6 pontos percentual essa probabilidade após o Relatório de Emprego. Se ontem essa chance era de 46,2%, agora já é de 54,8%. As apostas se concentram principalmente em uma alta entre 0,25 a 0,5 ponto percentual dos juros, mostram os dados compilados pela Bloomberg. 

Tabela traz a mudança das probabilidades do Fed elevar os juros – antes e depois do Payroll:

Reuniões Antes do Payroll Depois do Payroll
Probabilidade de alta Probabilidade de alta 0,25 – 0,50 0,5 – 0,75
16/03/2016  10,0% 10% 90% 10%
27/04/2016  13,6% 17,2% 82,8% 16,4%
15/06/2016  25,7% 32,1% 67,9% 28,4%
27/07/2016  27,2% 34,8% 65,2% 29,9%
21/09/2016  35,9% 42,6% 57,4% 34,2%
02/11/2016  35,9% 45,0% 55,0% 35,1%
14/12/2016  46,2% 54,8% 45,2% 38,7%
01/02/2017  47,2% 55,7% 44,3% 38,8%
*Fonte: Terminal Bloomberg

Separadamente, os relatórios dos analistas ainda se dividem. O Barclays, por exemplo, que previa três altas em 2016, agora prevê duas elevações. O economista-chefe para EUA da instituição e outros analistas responsáveis pela revisão são bastante claros na justificativa: “sinais divergentes do relatório de emprego e volatilidade do mercado são responsáveis pela mudança de projeção”. 

Por outro lado, o Deutsche Bank diz que o relatório foi bem melhor do que se temia. De acordo com os analistas do banco, os dados sugerem que o mercado se adiantou em prever que o Fed vai ser muito “dovish” (moderado) nas próximas reuniões, mesmo levando em considerações as incertezas externas. “O relatório deve ser visto como um apoio para a tese de forte dólar no médio prazo, embora ganhos imediatos da moeda norte-americana devam ser limitados depois de uma semana bem difícil nas bolsas”, diz o estrategista do Deutsche, Alan Ruskin. 

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Por fim, o economista da Markit, Chris Williamson, diz que, pelo contrário, os dados de emprego reduzem as chances de um aumento de juros em março. 

Ou seja, não é fácil prever o que o Fed vai fazer com esses dados que foram divulgados hoje, então o principal vai ser ficar de olho nas próximas comunicações do bc dos EUA para saber o que eles mesmo acharam. O mercado já mostrou a sua visão e é de que as maiores probabilidades de alta surgem a partir de novembro deste ano. Para março, a probabilidade observada pela análise da curva de juros dos treasuries é de apenas 10%.

“Ficou muito claro que em março não vamos ter uma subida de juros. O Fed já manifestou uma postura mais cautelosa. Mas em hipótese alguma eles vão fechar as portas para aumentos nas próximas reuniões”, diz a economista da ARX Investments, Solange Srour.

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