Publicidade
SÃO PAULO – O Relatório de Emprego dos Estados Unidos veio bem mais fraco do que o esperado nesta sexta-feira (5) em relação à criação de novas vagas. Foram 151 mil, contra 188 mil pela expectativa mediana dos economistas. Em condições normais de temperatura e pressão isso seria uma notícia positiva para quem não quer que o Federal Reserve eleve mais os juros, já que mostra uma fraqueza da economia americana que torna perigoso um novo aumento das taxas.
No entanto, este não é o único dado importante a ser olhado. Entre outros destaques do relatório estão a queda do desemprego para o menor nível desde 2008, em 4,9% e o aumento bem acima do esperado dos ganhos salariais, que foi de 0,5% contra 0,3% de perspectiva. Isso explica o porquê do mercado operar entre perdas e ganhos: os investidores estão “confusos” acerca de como repercutir os dados. Muitas revisões de projeção para aumento de juros do Fed este ano foram feitas após o relatório.
No geral, o que o mercado está vendo agora é uma chance de mais de 50% do Fed elevar os juros mais uma vez esse ano. Segundo dados do Terminal Bloomberg, cresceu em 8,6 pontos percentual essa probabilidade após o Relatório de Emprego. Se ontem essa chance era de 46,2%, agora já é de 54,8%. As apostas se concentram principalmente em uma alta entre 0,25 a 0,5 ponto percentual dos juros, mostram os dados compilados pela Bloomberg.
Tabela traz a mudança das probabilidades do Fed elevar os juros – antes e depois do Payroll:
| Reuniões | Antes do Payroll | Depois do Payroll | ||
| Probabilidade de alta | Probabilidade de alta | 0,25 – 0,50 | 0,5 – 0,75 | |
| 16/03/2016 | 10,0% | 10% | 90% | 10% |
| 27/04/2016 | 13,6% | 17,2% | 82,8% | 16,4% |
| 15/06/2016 | 25,7% | 32,1% | 67,9% | 28,4% |
| 27/07/2016 | 27,2% | 34,8% | 65,2% | 29,9% |
| 21/09/2016 | 35,9% | 42,6% | 57,4% | 34,2% |
| 02/11/2016 | 35,9% | 45,0% | 55,0% | 35,1% |
| 14/12/2016 | 46,2% | 54,8% | 45,2% | 38,7% |
| 01/02/2017 | 47,2% | 55,7% | 44,3% | 38,8% |
| *Fonte: Terminal Bloomberg | ||||
Separadamente, os relatórios dos analistas ainda se dividem. O Barclays, por exemplo, que previa três altas em 2016, agora prevê duas elevações. O economista-chefe para EUA da instituição e outros analistas responsáveis pela revisão são bastante claros na justificativa: “sinais divergentes do relatório de emprego e volatilidade do mercado são responsáveis pela mudança de projeção”.
Por outro lado, o Deutsche Bank diz que o relatório foi bem melhor do que se temia. De acordo com os analistas do banco, os dados sugerem que o mercado se adiantou em prever que o Fed vai ser muito “dovish” (moderado) nas próximas reuniões, mesmo levando em considerações as incertezas externas. “O relatório deve ser visto como um apoio para a tese de forte dólar no médio prazo, embora ganhos imediatos da moeda norte-americana devam ser limitados depois de uma semana bem difícil nas bolsas”, diz o estrategista do Deutsche, Alan Ruskin.
Continua depois da publicidade
Por fim, o economista da Markit, Chris Williamson, diz que, pelo contrário, os dados de emprego reduzem as chances de um aumento de juros em março.
Ou seja, não é fácil prever o que o Fed vai fazer com esses dados que foram divulgados hoje, então o principal vai ser ficar de olho nas próximas comunicações do bc dos EUA para saber o que eles mesmo acharam. O mercado já mostrou a sua visão e é de que as maiores probabilidades de alta surgem a partir de novembro deste ano. Para março, a probabilidade observada pela análise da curva de juros dos treasuries é de apenas 10%.
“Ficou muito claro que em março não vamos ter uma subida de juros. O Fed já manifestou uma postura mais cautelosa. Mas em hipótese alguma eles vão fechar as portas para aumentos nas próximas reuniões”, diz a economista da ARX Investments, Solange Srour.
Continua depois da publicidade
Leia também:
InfoMoney atualiza Carteira para fevereiro; confira
Analista-chefe da XP diz o que gostaria de ter aprendido logo que começou na Bolsa