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SÃO PAULO – O ativo mais difícil para estimativas. Em temporada restrita para previsões. Desde o rompimento do piso de R$ 2 por US$ 1 em maio, coerente com o retorno do dinheiro estrangeiro ao Brasil, as análises sobre a taxa de câmbio ficaram mais cautelosas. Tanto por momentos de menor apetite por risco quanto pela intensificação das intervenções do Banco Central no mercado.
Ainda assim, o consenso prevalece apontando um real mais valorizado, conforme constatado em enquete promovida pela InfoMoney. Frente à pergunta: “Qual a probabilidade do dólar fechar o ano de 2009 abaixo de R$ 1,90?”, foram coletadas 6.024 opiniões, que resultaram em uma média de 63,18% de possibilidade. Mais de 25% dos consultados veem 100% de chance.
Cerca de 12% dos entrevistados optaram pela neutralidade: 50% possível. Enquanto quase 9% se mostraram mais céticos, vendo 0% de probabilidade. A moeda norte-americana iniciou o segundo semestre acumulando queda de 17% frente ao real em 2009, oscilando na faixa dos R$ 1,93.
Indicadores
No ano passado, com o aprofundamento da recessão global a divisa disparou em reflexo à fuga dos investidores estrangeiros do País, chegando à casa dos R$ 2,50. Nos primeiros seis meses do ano, a moeda brasileira volta a se valorizar. A tendência perdeu fôlego com a saída forte de dólares nas últimas semanas.
O fluxo cambial acumulado nos 19 primeiros dias úteis de junho ficou negativo em US$ 1,227 bilhão, conforme dados publicados pelo Banco Central do Brasil na quarta-feira (1). O resultado mostra uma piora substancial em relação ao superávit acumulado nas três primeiras semanas do mês, de US$ 380 milhões.
O saldo financeiro permanece no campo negativo, marcando déficit de US$ 1,140 bilhão, com as vendas (US$ 29,819 bilhões) superando as compras (US$ 28,679 bilhões). A surpresa fica com o saldo comercial, que caminha para o primeiro déficit desde dezembro de 2008.
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Intervenção do BC
Mesmo assim o BC informou que, desde o início de junho, efetuou a compra de um total de US$ 1,689 bilhão, uma empreitada que evita a desvalorização mais acentuada do dólar. De tal forma que as posições compradas dos bancos no mercado, de US$ 1,338 bilhão ao final de maio, passaram para vendidas em US$ 351 milhões.
“Ao ter exaurido o total das posições compradas dos bancos, o BC deveria interromper nesta fase as suas intervenções com leilões de compras diários, inibindo assim o aumento das posições vendidas por parte dos bancos que acabam por ser induzidas, pelo fato dos leilões ocorrerem mesmo com fluxo negativo, levando-as a ter uma conotação especulativa que leva o preço do real à apreciação, ao incentivar a prática de ‘day trade’ pelos bancos, criando a volatilidade”, opina Sidnei Nehme, diretor da NGO Corretora.
O economista conclui que inibindo o aumento das posições vendidas, a autoridade imporia a obrigação de acúmulo de dólares pelos bancos e a consequente redução das mesmas, o que amenizaria a apreciação do real. Na semana passada, o BC adquiriu US$ 92 milhões, via leilões no mercado à vista, mas não impediu a queda de 1,92% do dólar.
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Perspectivas
Vale destacar que um dólar valendo menos de US$ 1,90 está distante das apostas do mercado. Na edição do relatório Focus desta semana, elaborado pelo Banco Central, as projeções para o câmbio não sofreram mudanças significativas, sendo mantidas perto dos R$ 2,00 tanto para 2009 quanto para 2010.
Já os economistas para a América Latina do Morgan Stanley passaram a projetar o dólar cotado a R$ 2,10 no final deste ano, frente aos R$ 2,50 anteriores. Em relação ao ano de 2010, a projeção é que a moeda norte-americana encerre cotada a R$ 1,90, enquanto anteriormente era esperado um valor próximo a R$ 2,60.
Confira a avaliação
| Qual a probabilidade do dólar fechar o ano de 2009 abaixo de R$ 1,90? | Votos | Percentual |
| 0% | 527 | 8,75% |
| 10% | 194 | 3,22% |
| 20% | 368 | 6,11% |
| 30% | 233 | 3,87% |
| 40% | 318 | 5,28% |
| 50% | 726 | 12,05% |
| 60% | 397 | 6,59% |
| 70% | 624 | 10,36% |
| 80% | 491 | 8,15% |
| 90% | 606 | 10,06% |
| 100% | 1540 | 25,56% |
| Total | 6.024 | 100% |