Crise grega

Chance de acordo para manter Grécia no euro aumenta, avalia JP Morgan

Na avaliação do banco, os países da região parecem estar oferecendo a Tsipras opções que são "desagradáveis, mas consistentes com o objetivo dele de permanecer na zona do euro"

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Após o dia de negociações e declarações de autoridades europeias sobre o impasse entre a Grécia e seus credores, o J.P. Morgan avaliou, em relatório, que aumentaram as chances de que o país possa chegar a um acordo e continuar na zona do euro. Agora, o banco diz que há 40% de chance de um acordo entre os credores e o governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras, 5% de chance de um acordo condicionado a mudanças políticas em Atenas e 55% de possibilidade de variados cenários com a saída da Grécia do euro.

Anteriormente, o J.P. Morgan havia calculado em 15% a possibilidade de um acordo com os países da zona do euro, em entre 20% e 25% a chance de um acordo após “estresse econômico forçar uma mudança no governo grego”, e de entre 60% e 65% de possibilidade de saída da Grécia do euro. Na avaliação do banco, os países da região parecem estar oferecendo a Tsipras opções que são “desagradáveis, mas consistentes com o objetivo dele de permanecer na zona do euro”.

Na avaliação, o J.P. Morgan diz que os fatos de hoje mostraram que domingo parece ser a data crucial para o caso da Grécia, quando os 28 líderes da União Europeia estarão presentes discutindo o assunto. O presidente da União Europeia, Donald Tusk, notou que “cenários sombrios não podem ser descartados” e que era possível que os esforços de ajuda humanitária para a Grécia precisassem ser coordenados. A chanceler alemã, Angela Merkel, sugeriu que o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, concordou que o domingo é o dia em que decisões significativas devem ser tomadas.

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O banco lembra que, na entrevista coletiva de Merkel, ela deixou claro que considera as últimas propostas feitas para a Grécia “generosas” e que, como a situação piorou desde então, as propostas gregas precisarão ir além do sugerido antes do plebiscito. Merkel descartou explicitamente um desconto na dívida, dizendo que isso está proibido pelos tratados do bloco. O J.P. Morgan traduziu assim as mensagens dos líderes a Tsipras: “Você pode conseguir um acordo, mas não vai gostar dele.”

O J.P. Morgan diz ver como positivo o fato de que os líderes da UE parecem dispostos a dar uma última chance à Grécia de apresentar propostas concretas e avaliá-las. Por outro lado, não parecem acenar com termos que seriam fáceis de vender à população grega ou ao próprio partido governista, o Syriza. Será importante, aponta o banco, ver como as discussões evoluem nas próximas horas e também como as autoridades gregas parecem se coordenar com a Comissão Europeia e outros órgãos para apresentar uma proposta viável. O J.P. Morgan lembra ainda que é preciso lembrar que as decisões na UE são tomadas por unanimidade e alguns países, especialmente os do Báltico, podem resistir antes de se convencer de que devem apoiar as negociações com Tsipras, no atual contexto.

O banco prevê ainda que o BCE mantenha o atual nível da Linha Emergencial de Liquidez (ELA, na sigla em inglês) para os bancos gregos até o domingo. (Gabriel Bueno da Costa)