Chair do Fed vai ao Congresso após dar sinais cautelosos para se distanciar de Trump

O novo chair do banco central americano falará a parlamentares nesta terça e quarta-feira, em sessões que devem medir sua resistência às pressões de Donald Trump por juros baixos

Reuters

O novo presidente do Federal Reserve dos EUA, Kevin Warsh, concede uma coletiva de imprensa após uma reunião de dois dias do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na sede do Federal Reserve em Washington, D.C., EUA, em 17 de junho de 2026. REUTERS/Eric Lee
O novo presidente do Federal Reserve dos EUA, Kevin Warsh, concede uma coletiva de imprensa após uma reunião de dois dias do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na sede do Federal Reserve em Washington, D.C., EUA, em 17 de junho de 2026. REUTERS/Eric Lee

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WASHINGTON, 14 Jul (Reuters) – Na cerimônia de ⁠posse do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, em ⁠maio, o presidente Donald Trump demonstrou grande entusiasmo com sua escolha para ‌liderar o banco central dos Estados Unidos, levantando o punho e aplaudindo ao lado de autoridades do governo reunidas na Casa Branca.

“Vá em frente”, disse Trump quando Warsh ‌subiu ao palco para um discurso de cerca de sete minutos, que durou apenas um terço do tempo das palavras de Trump e combinou elogios ao presidente com as ambições do novo chefe do Fed para o banco central.

Assim como o ex-chair do Fed Jerome Powell se destacou por reconstruir o relacionamento do banco central com o ⁠Congresso, ‌o potencial de Warsh para manter a confiança de Trump pode se revelar um ⁠trunfo importante à medida que ele administra a política monetária em um momento de incerteza na economia e supervisiona um processo de revisão que aborda questões importantes para o Fed e para o país.

Warsh deve detalhar ainda mais seus planos para o Fed e suas reflexões sobre a economia durante dois dias ​de depoimento perante os parlamentares no Congresso, na terça e na quarta-feira. O depoimento também poderá revelar se suas primeiras semanas no cargo amenizaram as preocupações ​de que, longe de controlar Trump, Warsh acabará atendendo às exigências persistentes do presidente por taxas de juros mais baixas ou enfrentará a mesma reação negativa da Casa Branca que afetou o mandato de Powell e, por fim, colocou o então chair do Fed sob uma investigação criminal que já foi encerrada.

Pelo menos a princípio, ‌os primeiros passos de Warsh são vistos como uma ​demonstração de maior distância em relação a Trump, com suas nomeações para uma série de forças-tarefa na semana passada se destacando pelo nível de especialização e pela ausência do tipo de figuras ideológicas ou ⁠partidárias levadas a outras agências.

“Se as ​pessoas estavam preocupadas que ​ele fosse um ‘fantoche’, esses temores deveriam ter desaparecido após a primeira coletiva de imprensa” depois da decisão do ⁠Fed de manter os juros, quando os ​comentários de Warsh foram vistos como inclinados a mantê-los assim, disse Jon Faust, ex-assessor sênior de Powell e agora professor de economia na Universidade Johns Hopkins.

Warsh irá ao Comitê de Serviços ​Financeiros da Câmara dos Deputados dos EUA, controlada pelos republicanos, às 11h (horário de Brasília) desta terça-feira, em sua primeira sessão pública como chair do ​Fed com parlamentares daquela Casa.

O ⁠novo chair do Fed comparecerá perante o Conitê Bancário do Senado às 11h também na quarta-feira. Esse comitê, ⁠também controlado pelos republicanos, recomendou a aprovação de Warsh ao plenário do Senado em uma votação dividida no final de abril, com os democratas expressando preocupações específicas sobre sua relação com Trump e se ele seria verdadeiramente independente após um processo de seleção no qual o presidente afirmou que só indicaria alguém de quem tivesse certeza de que reduziria os ​juros.