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SÃO PAULO – A receita líquida da Providência (PRVI3) atingiu R$ 116 milhões no quarto trimestre de 2010, informou a companhia na última segunda-feira (21). O montante equivale a uma alta de 1,6% sobre o mesmo período de 2009. Já no acumulado anual, a receita líquida avançou 9,8% sobre 2009, para atingir R$ 453,3 milhões.
Em entrevista à InfoMoney, o CFO (Chief Financial Officer) da Providência, Eduardo Feldmann, destacou três pontos altos do balanço anual: a conclusão da primeira planta da empresa nos Estados Unidos, com início de operações em janeiro de 2011; o anúncio de duas novas linhas de produção, uma no Brasil e outra nos Estados Unidos; e o pagamento de R$ 32,9 milhões em dividendos aos acionistas.
Fábrica nos Estados Unidos impulsiona volumes
A unidade da empresa na Carolina do Norte, Estados Unidos, esteve em fase pré-operacional no último trimestre de 2010, mas deve passar a favorecer os resultados da companhia a partir dos primeiros três meses de 2011, com o potencial de adicionar uma capacidade produtiva de 20 mil toneladas de não-tecidos por ano.
Feldmann explica que o equipamento da unidade norte-americana opera em uma curva de aprendizagem, que adiciona volumes a cada trimestre. “Veremos um certo aumento de produção no primeiro trimestre, um pouco maior no segundo, e chegaremos ao início do segundo semestre com a capacidade total”, diz o CFO.
Perspectivas
Mesmo com projeções macroeconômicas de desaceleração da economia brasileira neste ano, Feldmann diz que dificilmente esse contexto afetará o nicho de atuação da companhia. “Temos a expectativa de trabalhar em 2011 com a capacidade completa de produção, de 80 mil toneladas/ano”, diz.
Neste último trimestre, a produção total da Providência foi de 20,1 mil toneladas. Por sua vez, as vendas anuais mostraram um crescimento de 10,2% em relação à 2009. Para o presidente da companhia, Hermínio de Freitas, a elevada utilização da capacidade industrial foi a principal justificativa para os fortes números.
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“Nós estamos muito confiantes, tanto com 2011 quanto com o próximo ano. Os volumes de vendas têm se mostrado consistentemente firmes e, mesmo com alguma desaceleração tanto na economia brasileira como mundial, não vemos isso como uma preocupação para o nosso mercado. Daqui para frente, continuaremos com volumes crescentes”, complementou Feldmann.
Matérias-primas
Nos dois primeiros trimestres de 2010, o preço da principal matéria-prima da companhia, o polipropileno, aumentou cerca de 35%. Com um processo de repasse de custos, os lucros da companhia acabaram parcialmente prejudicados no período.
Neste trimestre, contudo, o CFO aponta para o controle dos preços e repasses. “No último trimestre, já pudemos perceber uma certa estabilidade. Os preços iniciam 2011 com tendência de alta, o que deve ir se dissipando ao longo do ano”, diz Feldmann.
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Ebitda e lucro menores
Ao contrário da receita líquida, o Ebitda (geração operacional de caixa) Ajustado da companhia registrou variação negativa de 4,3 pontos percentuais em relação ao 4T09 e de 1,5 ponto percentua em relação ao trimestre imediatamente anterior. A dívida líquida, por sua vez, cresceu 59,2% em relação ao quarto trimestre de 2009, um acréscimo de R$ 90,7 milhões, por conta da captação para financiamento do projeto nos Estados Unidos.
Já o lucro líquido foi de R$ 5,592 milhões, uma queda de 32,9% em relação ao mesmo período do ano passado e de 52,2% sobre o trimestre anterior.
As demonstrações financeiras do período contemplaram as adequações às normas internacionais de contabilidade, o IFRS. “Com os ajustes, o principal impacto foi o registro do custo atribuído, que reduziu o lucro líquido do ano, mas não afetará o potencial de entrega de dividendos”, ressaltou Eduardo Feldmann.
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Dividendos
A companhia propõe elevar a distribuição de dividendos a 100% da base de cálculo ajustada do ano, totalizando R$ 32,9 milhões no final do exercício de 2010. Na antecipação dos dividendos do primeiro semestre já foram distribuídos 11,1 milhões e, ao final do exercício, serão pagos mais R$ 21,8 milhões em dividendos.
A base de cálculo corresponde ao lucro líquido do exercício de 2010, R$ 23,8 milhões, menos os 5% da reserva legal, R$ 1,2 milhões, somados à realização do custo atribuído, R$ 10,2 milhões. Segundo Feldmann, há uma “intenção estratégica de manter tal política de dividendos, embora não haja uma política fixa para sua distribuição pela companhia”.