Cerveja em risco, oportunidade em proteínas: Goldman calcula “efeito GLP-1” na Bolsa

Patente da semaglutida está prevista para expirar em março deste ano; segmento de alimentos com proteína animal pode crescer

Erick Souza

Ativos mencionados na matéria

Homem com garrafa de cerveja em bar de São Paulo 25 de julho de 2018 REUTERS/Nacho Doce
Homem com garrafa de cerveja em bar de São Paulo 25 de julho de 2018 REUTERS/Nacho Doce

Publicidade

O prazo para a expiração da patente da semaglutida, o princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, está se aproximando e os impactos, que antes pareciam distantes, estão se tornando cada vez mais reais. Experiências mais maduras em outros países, mostram que o mercado de bebidas alcoólicas está entre os mais impactados pela entrada dos medicamentos.

De acordo com o Goldman Sachs, em mercados mais desenvolvidos pelo mundo, a queda no consumo de bebidas alcóolicas entre usuários de GLP-1 caiu, em média, 23% (podendo chegar a até 55%). Em análises de sensibilidade, o banco avalia que o risco de queda para Ambev (ABEV3) é de 8% até 2027, a depender da adoção desse tratamento. No cenário base, os analistas estimam um impacto negativo de 50 pontos-base (ou 0,5 ponto percentual).

Para o banco, a entrada dos GLP-1 traria mais pressão para um mercado que já está lutando para manter a escala. Em 2025, a produção de bebidas alcoólicas teve uma contração de 5% na comparação com o ano anterior. Conforme os analistas, essa queda ainda poderia desencadear um de-rating mais acentuado em 2026 e 2027.

Viva do lucro de grandes empresas

Em canais de checagem promovidos pelo Goldman Sachs, o uso de GLP-1 tem pressionado o segmento de cervejas nos últimos 1 a 2 anos, especialmente entre consumidores mais jovens. Como resposta, algumas companhias têm investido na expansão de portfólio, oferecendo opções não-alcoólicas e bebidas funcionais.

Impacto em outros mercados

Enquanto umas perdem, outras ganham e esse é o caso dos produtos com alto teor proteico. De acordo com o banco, a expansão de hábitos de saúde e bem-estar agregam uma camada adicional no potencial de alta.

Leia mais: GLP-1: mercado pode atingir US$ 160 bi até 2030; quais oportunidades para as ações?

Continua depois da publicidade

O estudo sinaliza, entretanto, que não há uma evidência robusta no aumento no consumo de carne fresca. O que acontece é uma tendência real de redução no consumo de alimentos com alto teor de gordura e de ultrapocessados. Essas tendências combinadas, têm reforçando a visão otimista do Goldman Sachs para a MBRF (MBRF3) e JBS (BDR: JBSS32).

Com base nas análises do banco, o setor de restaurantes tem se destacado pelas respostas mais dinâmicas às tendências de saúde e bem-estar. Os resultados, entretanto, são mistos. Em alguns casos, os restaurantes tiveram aumento de gastos em dígitos únicos baixos, em outros, houve queda em dígitos únicos altos.