CEO da Pimco diz estar muito “underweight” em ações

Mohammed El-Erian fala à CNBC sobre os passos para a recuperação da economia e a nova era do consumo, muito mais consciente

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SÃO PAULO – Os investidores devem estar cientes que podem perder ainda muito dinheiro no mercado de renda variável por conta do cenário de volatilidade, ao mesmo tempo em que os títulos do governo norte-americano não são a saída para aqueles que procuram segurança.

Estas são as palavras ditadas pelo CEO da gestora de recursos Pimco, Mohammed El-Erian, em entrevista à rede norte-americana CNBC.

Na visão do CEO, certas ligações não representam seu real valor, em alento à relação entre segurança e títulos do Tesouro. Além disso, El-Erian diz estar muito “underweight” – com alocação abaixo da média – nas ações, ao passo que cortou sua exposição para 30%, contra um posicionamento tradicional de 60%.

Uma nova era do consumo

Traçando um paralelo com a crise atual, El-Erian acredita que o mundo está passando por uma nova era, de intensas mudanças de comportamento e gestão.

As pessoas, segundo ele, devem reconhecer que a riqueza foi amplamente deteriorada com a crise financeira e que existem milhões de desempregados nos EUA, mostrando a séria situação a qual estamos passando.

Nesta concepção, o CEO da Pimco acredita que o consumo por parte dos norte-americanos deverá voltar aos patamares normais, mas serão consumidores mais conservadores, focados agora em poupar dinheiro e preocupados com a aposentadoria.

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Passos para a recuperação

El-Erian lista quatro condições para a recuperação consistente da economia: dos preços das casas têm de se estabilizar, os bancos necessariamente precisam voltar a emprestar, os consumidores devem consumir de novo e o resto do mundo deve se recuperar.

Ao passo que duas dessas consequências já são suficientes para alavancar a economia. No momento, diz o CEO, só a quarta condição está satisfeita “em parte”, dados sinais tímidos de recuperação da China.

Questionado sobre investimentos atrativos neste momento, o líder da área de investimentos da Pimco destacou as hipotecas, títulos municipais e dívidas corporativas.