CEO da Petrobras: petróleo não pode ser descartado em nome da transição energética

A guerra entre Estados Unidos e Irã colocou o petróleo de volta no centro do debate energético num momento em que o mundo discutia sua substituição

Paulo Barros

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Magda Chambriard, presidente da Petrobras, fala em teleconferência de resultados (Reprodução/Transmisssão da Petrobras)
Magda Chambriard, presidente da Petrobras, fala em teleconferência de resultados (Reprodução/Transmisssão da Petrobras)

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Magda Chambriard, presidente da Petrobras (PETR4), afirmou nesta quarta-feira (3) que conflito no Oriente Médio escancarou o peso do petróleo na segurança energética global e que substituir a fonte sem planejamento compromete o desenvolvimento do país.

A guerra entre Estados Unidos e Irã colocou o petróleo de volta no centro do debate energético num momento em que o mundo discutia sua substituição. Para a presidente da companhia, o conflito escancarou o que ela chama de tensão entre transição energética e segurança energética, e o Brasil precisa equacionar os dois lados antes de acelerar a saída do petróleo.

“Não acreditamos que seja bom jogar fora o que temos construído em prol de um novo que custa caro e muito provavelmente não cabe no bolso, pelo menos de forma tão acelerada, da maioria das nações do mundo”, disse Chambriard, em participação no Fórum Jurídico de Lisboa nesta quarta-feira (3), defendendo o que ela chama de “adição energética”.

O Brasil chegou a 2026 com 54% da matriz energética composta por renováveis, resultado da inserção do etanol nos anos 1970 e do biodiesel nos anos 2000, processos liderados pela própria Petrobras. Ao mesmo tempo, o petróleo segue sendo o primeiro produto de exportação do país, com a empresa registrando produção recorde de 3,23 milhões de barris de óleo equivalente por dia no primeiro trimestre, novo máximo histórico da companhia.

A estimativa é que seria necessário R$ 1,2 trilhão ao ano nos próximos 25 anos para fazer a transição na velocidade apregoada, num país que investe em tudo, de saúde a infraestrutura, R$ 2 trilhões ao ano. “É razoável que a gente gaste mais da metade de todo o investimento nacional ao longo de 25 anos para substituir uma energia que hoje é o nosso primeiro produto de exportação?”, questionou.

Sobre o conflito no Oriente Médio, Chambriard avaliou que a guerra tende a acelerar, paradoxalmente, a transição para novas fontes. “Vai acelerar essa transição, a inserção de novas tecnologias, de projetos de pesquisa e desenvolvimento em prol de um novo patamar energético no mundo. Só que isso ainda vai demorar um pouquinho, porque a Guerra do Golfo Pérsico entrou no meio dessa trajetória”, disse. Os efeitos sobre os preços devem durar mesmo após o fim do conflito. “Se a guerra acabasse hoje, em até quatro anos, muito provavelmente a gente voltaria no mínimo para aquele patamar de 60 dólares por barril”, afirmou.

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“Se essa carroça for posta na frente dos bois, vai entrar”, finalizou a executiva, ao defender que plano climático e segurança energética precisam caminhar juntos, sem que um inviabilize o outro.

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos