CEO da Direcional (DIRR3) diz aguardar decisão sobre MCMV e cita preocupação com situação fiscal do país

Promessa de campanha do governo Lula, o Minha Casa Minha Vida deve retomar principalmente para famílias de mais baixa renda

Augusto Diniz

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Incorporadoras e construtoras atuantes no segmento de habitação social têm sido questionadas nas teleconferências de apresentação dos resultados do 3T22 a analistas de mercado sobre como pretendem se enquadrar no modelo ainda a ser proposto pelo novo governo. Nesta terça (8), foi a vez da Direcional (DIRR3) comentar sobre como enxerga o tema.

“É muito importante entender qual política será adotada. É muito cedo pra tomar qualquer tipo de decisão. Não tem realmente como ver como vai funcionar o programa, até porque a situação fiscal do país ainda é delicada, com volume de gastos muito alto no período da pandemia”, disse Ricardo Ribeiro, CEO da Direcional (DIRR3), durante a teleconferência de apresentação dos resultados do 3T22.

“O país está num patamar de endividamento muito mais elevado do que já teve no passado”, acrescentou.

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Na noite anterior, a Direcional reportou lucro líquido de R$ 63,3 milhões no terceiro trimestre de 2022, um aumento de 53,3% em relação ao mesmo período de 2021.

No pregão posterior ao resultado, as ações da empresa recuaram 1,02%, a R$ 16,35.

Lembrança de 2015

Ribeiro ressaltou que o ponto mais importante em relação ao Minha Casa Minha Vida – antigo programa, substituído pelo Casa Verde Amarela, mas que deve ser reeditado – se refere à faixa 1 do programa, que, em 2015, apresentou uma série de desafios, especialmente com relação a atrasos em pagamento das obras.

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A faixa 1 que o novo governo quer privilegiar exige maior contrapartida porque trabalha com famílias com orçamento bastante apertado.

“É um programa que não comporta qualquer tipo de atraso porque com atrasos de pagamento estaremos financiando as obras através de dívida. Por isso que os pagamentos se davam de acordo com avanço das obras”, comentou Ribeiro a analistas de mercado.

“É claro que tem que monitorar muito de perto como vai funcionar a questão relativa às garantias e como pagamento vai ser feito nas datas previstas. Porque aquilo lá (de 2015) machucou demais as empresas que atuaram no programa”, ressalta.

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Para o executivo, por conta do passado, há um pouco mais de cautela com relação ao programa.

“Tem muita coisa para analisar com muito cuidado. É importante dizer que hoje a faixa 1 não é algo que na nossa visão vai ser relevante na nossa operação. A gente está num patamar de lançamento e receita nos segmentos que são possíveis de atuar, que são basicamente as antigas faixas 1,5, 2 e 3, onde se tem um nível de operação que dá pra entrega resultados bastante satisfatórios”, destacou.

Ao longo do 3T22, a Direcional entregou sete empreendimentos/etapas, representando um total de 2.216 unidades, enquadrados no âmbito do programa Casa Verde e Amarela.

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Custos não preocupam mais

Outro tema que tem permeado as teleconferências de construtoras são os custos, que explodiram no primeiro semestre. A Direcional, na teleconferência desta terça (8), relatou que o cenário agora é bem mais benigno e confortável.

“Os custos dos insumos que a gente utiliza em nossos canteiros não é algo que tem nos preocupado, neste momento. Não estamos vendo sinalização de aumento de custo que possa causar algum impacto”, disse o CEO Ricardo Ribeiro.

Segundo ele, o concreto, que disparou depois do início da guerra (Rússia-Ucrânia), seguiu em alta, inclusive no 3T22.

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Porém, o executivo relatou que no período ocorreram também reduções de custos em diversos outros insumos que foram mais do que suficientes para equilibrar os gastos.