Cenário macro ruim dá impulso a fundos de ações emergentes, mostra EPFR

Com crise europeia e debate sobre orçamento nos EUA, investidores procuram melhores perfis de dívida e projeções de crescimento

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SÃO PAULO – Os fundos de ações emergentes se beneficiaram das incertezas que rondam o cenário macroeconômico das principais economias desenvolvidas na última semana. Com isso, esses fundos tiveram um fluxo de captação positivo pela terceira semana consecutiva – e, pela primeira vez no ano, absorveram um montante maior do que os de ações dos mercados desenvolvidos.

Em meio à crise nuclear japonesa, problemas de dívida na Europa e um começo de temporada de resultados misto nos EUA, os investidores passaram a procurar melhores perfis de dívida e projeções de crescimento, e direcionaram seu capital para os mercados emergentes, como mostra a EPFR Global, consultoria que monitora o mercado global de fundos de investimento.

Os fundos money market, que investem em ativos de dívida de curto prazo, também se beneficiaram desse cenário, com captação líquida de US$ 10,37 bilhões na semana – mais do que o triplo do registrado pelos fundos de ações, e seu melhor desempenho em mais de dois meses.

Emergentes de volta ao foco
Com esse desempenho, os fundos de ações dos emergentes já diminuíram o déficit acumulado de captação no ano em US$ 10,3 bilhões. Os fundos GEM (Global Emerging Markets) seguiram com a preferência dos investidores, com uma fatia de 80% das captações líquidas na semana terminada em 13 de abril.

A Rússia também continuou como favorita entre os países, impulsionada por sua exposição à commodities e petróleo e gás. Os fundos de ações turcos e dos EMEA (Europa, Oriente Médio e África) também fecharam a semana com fluxo positivo, assim como os fundos coreanos.

Por outro lado, os fundos de renda variável da América Latina seguiram puxando para baixo o resultado do grupo, com saldo negativo de captação pela 12ª vez em 13 semanas. Além dos controles de capital no Brasil, a EPFR apontou a eleição peruana – que viu o candidato nacionalista Ollanta Humala passar para o segundo turno – como os motivos para o mau desempenho.

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Desenvolvidos em baixa
Os fundos de ações dos mercados desenvolvidos, por sua vez, viram o fluxo de capitais cair “drasticamente” na semana. A consultoria aponta como culpados a alta de juro promovida pelo BCE (Banco Central Europeu), a crise de dívida, a situação no Japão, a alta dos preços do petróleo e seu impacto no crescimento, além de um início não tão positivo da temporada de resultados lá fora.

Os fundos de ações europeus ficaram com o melhor desempenho entre os desenvolvidos na semana, com foco no fluxo para os fundos de renda variável alemães. Ainda do lado positivo, os fundos de ações globais tiveram entrada de capital novo (recursos novos no mercado de fundos, que não vieram da migração entre diferentes fundos) pela 13ª vez nas últimas 15 semanas.

No caso dos fundos de ações norte-americanos, as disputas sobre o orçamento desanimaram os investidores, assim como alguns indicadores sinalizando que o crescimento da maior economia do mundo pode ser mais lento do que se estimava. Já os fundos japoneses registraram saída líquida de capital pela 3ª semana consecutiva ainda em meio às consequências dos desastres naturais de 11 de março.

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Setoriais
A EPFR também mostrou uma desaceleração do fluxo para os fundos setoriais globais. Os fundos de petróleo e gás, por exemplo, tiveram forte saída de capital em meio a avaliações de que o consumo deve diminuir em resposta à alta do petróleo. Os fundos de commodities também viram a entrada de capitais diminuir na semana, assim como os fundos do setor financeiro.

O destaque positivo ficou com os fundos do mercado imobiliário, cuja captação líquida acumulada em 2011 já ultrapassa os US$ 4,5 bilhões.

Renda Fixa
Entre os fundos de renda fixa, o fluxo foi definido pelos “suspeitos de sempre” – temores sobre as dívidas municipais dos EUA e sobre a Europa e a procura por yields. A crise europeia, combinada com a alta do juro promovida pelo BCE, pressionou as captações dos fundos de bonds europeus e globais, com o primeiro grupo registrando sua maior saída de capital desde janeiro. Os fundos de bonds norte-americanos, por sua vez, tiveram sua primeira captação líquida negativa em nove semanas.

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Por outro lado, os fundos de bonds dos mercados emergentes tiveram sua 3ª semana consecutiva de fluxo positivo, e os fundos de renda fixa high yield viram sua captação acumulada no ano superar os US$ 17,7 bilhões.