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SÃO PAULO – A última semana foi iniciada com um forte golpe no mercado, sob os rumores de que a Grécia poderia não receber a próxima parcela da ajuda prevista no resgate de 2010, acordado com a União Europeia e o FMI (Fundo Monetário Internacional). A tensão aumentou quando a Moody’s reduziu o rating para a dívida soberana do país. O cenário só ficou mais ameno com um acordo anunciado na sexta-feira (3) entre o BCE (Banco Central Europeu) e o FMI, para que o país receba a quinta parcela do resgate, abrindo caminho para uma nova rodada de auxílio ainda neste mês.
A novela grega foi acompanhada de sucessivos indicadores negativos sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos que, ainda assim, surtiram poucos efeitos para a bolsa local. Descolado, o Ibovespa avançou 0,07% na última semana, enquanto o Dow Jones, principal índice entre as bolsas norte-americanas, recuou 2,33%. Analistas apontam que após a bolsa ter superado estas notícias, começa a se delinear uma tendência altista para o índice.
Grécia e Estados Unidos mostram cenário mais claro…
A próxima semana aponta para ventos mais tranquilos na Grécia. O economista da Santander Corretora, Mauro Scheneider, acredita que as notícias recentes saciaram parte da ansiedade do mercado quanto ao futuro do país, deixando a situação econômica mais estável. “Além disso, não estão programados eventos para os próximos dias, como reuniões de ministros ou vendas de títulos, diminuindo as chances de notícias negativas na Grécia no decorrer da próxima semana”, afirma Schneider.
Já a fragilidade do ritmo de crescimento da economia norte-americana, atestada pelos fracos dados de emprego em maio, com uma criação de 54 mil postos de trabalho, em ritmo bem abaixo da média dos três meses anteriores, de 200 mil vagas de trabalho abertas por mês, e também das expectativas de geração de 169 mil vagas, também parece não abalar o otimismo de analistas, que atestam que os eventos que levaram ao último resultado, como desastres naturais nos Estados Unidos e Japão, tendem a ser temporários.
“O Federal Reserve já havia já havia reduzido a projeção para o crescimento da economia norte-americana em sua última reunião. Talvez os dados mais recentes tenham somente corroborado a previsão de um crescimento mais modesto, já indicado em dados como as encomendas da indústria e o consumo das famílias”, diz o economista Cristiano Souza, do Santander.
…e discursos dos líderes dos dois continentes são principal acontecimento
Em termos econômicos, o Livro Bege tende a ser a principal indicação econômica da semana, diz Souza. “Mas, para o mercado, talvez não faça muita marola”, pondera o economista. A dupla de economistas considera que os discursos de Ben Bernanke, presidente do Fed, agendada para a próxima terça-feira, e de Jean-Claude Trichet, presidente do BCE (Banco Central Europeu), tendem a ser os principais acontecimentos da semana.
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“As reuniões com Trichet e Bernanke trazem uma visão mais atual do que as autoridades estão pensando. Enquanto o Livro Bege avalia as últimas semanas, os discursos recaem sobre os acontecimentos econômicos mais recentes”, diz o economista do Banif.
Em relação ao efeito que as declarações tendem a surtir no mercado, entretanto, Schneider e Souza divergem. Enquanto o primeiro espera visões mais balanceadas sobre a economia que apaziguem o mercado, em contraponto ao pessimismo que assolou o mercado na última semana, Souza acredita que Trichet deve manter um discurso duro da última reunião, já que os dados da atividade ainda não são animadores.
Inflação ainda preocupa por aqui
A agenda fica mais recheada a partir de quarta-feira (8), quando acontece a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), cujo consenso de mercado aponta para um aumento de 25 pontos-base na taxa básica de juros, levando a Selic para 12,25% ao ano. “Não há novas preocupações sobre a inflação, portanto, não há razões para um ajuste mais forte pelo Banco Central”, diz Souza. Em contraponto, o economista do Santander lembra que, embora os índices gerais de preços estejam menores, ajudados pelo impulso menor de commodities, há que se considerar os efeitos da sazonalidade.
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“A cada mês vemos uma inflação acima do mesmo período do mês anterior. O problema é que, embora tenha sido reduzida na passagem mensal, a inflação ainda não caiu para níveis convincentes com o cumprimento de metas. A atividade doméstica continua forte e impactando os preços”, diz o economista do Santander.
Schneider, do Banif, acrescenta que é pouco provável uma resposta do Banco Central fora deste consenso, já que tanto a comunicação da autarquia quanto a evolução da economia reforçam esta perspectiva.
Indicadores sinalizam semana de mais tranquilidade
Com a agenda mais vazia, a expectativa é de uma semana mais amena. “Terminamos uma semana com notícias ruins, especialmente nos Estados Unidos, e há uma chance razoável de uma período mais tranquilo, pelo menos com um número menor de surpresas negativas, já que há menos eventos e indicadores na agenda”, diz Schneider.
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“A semana fica ao sabor de notícias inesperadas”, completa Souza, do Santander.