Cenário externo e corte na Selic levam risco-País a avançar 8 pontos

Números predominantemente ruins dos Estados Unidos e Europa levam sentimento de aversão ao risco aumentar

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SÃO PAULO – O indicador de risco-País avançou 8 pontos-base nessa quinta-feira (1), refletindo tanto referências nacionais, como o corte da taxa Selic anunciado na véspera, quanto a piora no quadro econômico externo, após dados ruins da economia norte-americana e europeia aumentarem o sentimento de aversão ao risco.

Além disso, foi divulgado pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) o resultado da balança comercial de agosto, que registrou superávit de US$ 3,873 bilhões.

Copom surpreendeu
Na noite anterior, o Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou o 
corte em 50 pontos-base na Selic, que passa a ser de 12% ao ano. A decisão surpreendeu a maioria dos economistas compilados pela InfoMoney, que esperavam que a taxa básica se mantivesse nos 12,5% ao ano.

A redução nos juros acabam tornando a renda fixa brasileira menos atrativa aos olhos do investidor internacional, tendo em vista a diminuição do “spread” entre a taxa de juros aplicada aqui e das outras economias do planeta.

Indicadores internacionais
O cenário econômico mostrou deterioração nessa sessão, aumentando a aversão ao risco. Isso se tornou claro após a divulgação do índice de manufaturas da Zona do Euro, medido pelo PMI (Purchasing Managers Index), que terminou agosto em seu menor nível em um ano, a 49 pontos.

Decepção acompanhou a agenda econômica norte-americana. O Initial Claims registrou um total de 409 mil novos pedidos na semana até 27 de agosto, frente às projeções que giravam em torno de 407 mil solicitações. Já o Productivity & Costs, referente à produtividade da mão-de-obra da economia norte-americana, excluída a agropecuária, apontou queda no segundo trimestre, recuando 0,7%.

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Ainda por lá, o Construction Spending que mede os gastos públicos e privados decorrentes da construção de imóveis, caiu 1,3% em julho. Por outro lado, o ISM Index, responsável pela mensuração do nível de atividade industrial nos EUA, atingindo 50,9 pontos, uma alta da produção do setor secundário na maior economia mundial. 

Global 40
O principal título da dívida externa brasileira, o Global 40, encerrou em baixa de 0,10% na noite desta quinta-feira, cotado a 137,30 centavos de dólar.

Refletindo o desempenho dos principais títulos da dívida externa brasileira, o indicador de risco Brasil calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan encerrou a 202 pontos base.

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O que é o risco-País?
Como cada governo que emite papéis no mercado externo em geral tem mais do que um título no mercado, o banco norte-americano JP Morgan decidiu criar um índice que pudesse combinar todos estes papéis e obter um indicador único, que pudesse ser usado como uma medida de risco global.

Com isso, o JP Morgan criou, no final de 1993, o Embi+ (Emerging Markets Bond Index Plus), ou Índice de Bonds de Países Emergentes, que mede o desempenho de uma vasta carteira de países. Todos os países incluídos são emergentes, excluindo aqueles de risco menor, como muitos dos países da Europa, Ásia e América do Norte.

Além deste índice genérico, o banco criou também um índice para cada país, incluindo apenas títulos do país em questão. Com isso, o JP Morgan criou uma medida de risco-país, que, no caso do Brasil, é medido pelo Embi+ Brasil.