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SÃO PAULO – O bom humor nos mercados começou na quarta-feira, com a aprovação do plano de austeridade grego, passou para os Estados Unidos na quinta-feira, com indicadores melhores na indústria em junho e a queda dos pedidos de auxílio-desemprego. Finalmente, chegou ao Ibovespa na sexta-feira (29), quando o índice fechou em forte alta de 1,59%, aos 63.394 pontos, impulsionado pelo plano de recompra de ações da Vale.
A aversão ao risco diminuiu na semana e, com o aval do Parlamento grego para cortes de gastos que chegarão a € 28 bilhões nos próximos cinco anos, os ministros das Finanças da Zona do Euro devem se reunir neste domingo (3) para a elaboração do novo pacote de ajuda para a Grécia. Contudo, durante a próxima semana, os leilões de títulos de Portugal e da Espanha ainda podem reavivar os temores em relação à contaminação da crise aos países periféricos, alerta o economista do Banif, Mauro Schneider, em relatório.
De forma geral, é possível dizer que a situação grega está mais clara e abre espaço para a discussão dos fundamentos macroeconômicos para a região do Euro como um todo. Na quinta-feira (7), além da divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre, merecem atenção as reuniões do banco central da Zona do Euro. O consenso de mercado aponta que os juros serão elevados em 0,25%, para 1,50%, em linha com as indicações do presidente do BCE, Jean-Claude Trichet.
Dados de emprego: recuperação dos EUA em xeque
Para o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, a boa surpresa com os dados da indústria norte-americana está atrelada à recuperação econômica após o terremoto que ocorreu em março no Japão, e levou à falta de suprimentos industriais. “A indicação foi positiva para a economia americana, mas o fator decisivo para avaliá-la são os dados de emprego”, afirma.
Tudo indica uma melhora em relação ao mês anterior, com as contratações passando de 54 mil em maio para 85 mil em junho, segundo levantamento da LCA Consultores. Com a indústria e o setor de serviços pesando favoravelmente, as vagas privadas também tendem a crescer. Entretanto, frisa Rosa, os números gerais seguem com uma baixa base de comparação, sugerindo que a economia do país ainda custa a entrar em uma trajetória de retomada, que não tem data prevista.
Já “a crise da dívida pública norte-americana fica como ruído de fundo para a semana no país”, diz o economista. Faltando pouco mais de um mês para que os Estados Unidos ultrapassem o limite legal de endividamento público, o presidente Barack Obama alertou para consequência “imprevisíveis” e pediu o aumento dos impostos para os mais ricos.
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“Observamos que, nos últimos dez anos, nos impasses em relação à definição do teto da dívida dos Estados Unidos, eles acabam sendo aprovados. Mas ainda há um conflito de interesses políticos entre os partidos republicano e conservador”, diz a equipe de análise da Coin, que não espera consequências imediatas ao mercado.
Por aqui, inflação e juros
A inflação segue como tema do mercado local pelos próximos meses, que avalia a sazonalidade dos indicadores e, mais importante, o compasso entre a criação de empregos, aquecimento econômico e o aumento de preços, que podem indicar ou não a necessidade de novos ajustes monetários; por exemplo, na taxa de juros.
O CMN (Conselho Monetário Nacional) estendeu para 2013 o centro da meta de inflação em 4,5%, e o mercado deve acompanhar o IPC do mês anterior na segunda-feira (4), o IGP-DI e o IPCA de junho na quinta (7) e o IPC-S da primeira semana de julho no último pregão da semana. Deles, o mais importante é o IPCA, diz Rosa, por seu papel na avaliação de necessidade de um ciclo mais longo de alta para a Selic.
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“Se o recuo da inflação continuar a ser causado apenas pela queda dos preços agrícolas, os dados reforçarão a percepção de que já em julho a inflação deverá voltara a subir”, segundo Schneider.
Menos motivos para temer
A expectativa é de uma semana ainda volátil para os mercados, afirma o economista da SulAmérica, com as atenções voltadas aos acontecimentos externos. Para a Coin, o período deve ser menos negativo que o anterior, embora com melhoras não tão perceptivas. Os analistas da corretora acreditam que “somente uma coisa pode impulsionar a bolsa nesta semana: o início da temporada de balanços nos Estados Unidos”.