Cenário do setor de papel e celulose é negativo para Fibria e Suzano

Aumento do estoque, baixo preço e enfraquecimento do consumo da Europa e EUA influenciam no desempenho das companhias

Nara Faria

Publicidade

 SÃO PAULO –   O Itaú BBA analisa como negativo o cenário do setor de papel e celulose para as companhias Fibria (FIBR3) e Suzano (SUZB5), diante dos dados divulgados referentes ao mês de agosto, que mostram que os estoques aumentaram para 41 dias, ante os 39 dias no mês de julho. O número ainda ficou acima da média histórica de 33 dias de abastecimento. 

Para os analistas Marcos Assumpção e André Pinheiro, os produtores de celulose foram forçados a aumentar descontos e concessões para o mês de setembro, em uma tentativa de reduzir estoques e aumentar o volume de vendas.

Com os estoques elevados, os analistas explicam que as companhias apresentam um poder limitado de precificação, além de serem afetadas pelo enfraquecimento do crescimento global, principalmente na Europa e em os EUA, e a recente valorização do dólar frente às moedas em países produtores de celulose.

Continua depois da publicidade

Demanda chinesa prevalece
O aumento das remessas em agosto, com as exportações globais atingindo 3,4 milhões de toneladas, representando um aumento de 5% em relação aos números de julho,  foi impulsionado principalmente pelo aumento da demanda chinesa, que deve permanecer, para o Itaú BBA, em setembro.

“Acreditamos que os volumes de compras da China provavelmente vão pemanecer forte em setembro, ajudado pelo queda dos preços da celulose”, disseram os analistas. De acordo com a consultoria finlandesa Foex, os preços da celulose na China caíram de US$ 720 por tonelada no final de julho para menos de US$ 680 por tonelada atualmente.  

Expectativas para o setor
Os analistas acreditam ainda na permanencia de estoques de celulose elevados ao longo dos próximos meses. Além disso, as companhias sofrerão com “o momento de preço baixo da celulose e crescimento econômico pífio nos países desenvolvidos, que representam quase 70% da demanda mundial de celulose”, explicam.

Diante deste cenário, a corretora mantém a recomendação market perform (expectativa de desempenho em linha com o mercado) para as ações de ambas as empresas, com preços-alvo de R$ 22,00 para a FIBR3 e de R$ 14,00 para a SUZB5, o que representam upsides de 41,38% e 54,35%, respectivamente, se comparados ao fechamento do dia 22 de setembro.