RTI

Cenário contempla arrefecimento gradual da inflação ao consumidor, diz BC no RTI

Preços de alimentos devem continuar pressionados em junho, mas devem arrefecer de forma mais nítida nos meses seguintes com a sazonalidade favorável

Por  Estadão Conteúdo -

O Banco Central (BC) informou no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado nesta quinta-feira que o seu cenário para a inflação contempla um arrefecimento gradual da inflação ao consumidor.

“Os preços de alimentos devem continuar pressionados em junho, com destaque para alimentos industrializados tais como farinha e panificados, mas devem arrefecer de forma mais nítida nos meses seguintes com a sazonalidade favorável”, previram os membros da cúpula da autoridade monetária.

O colegiado segue escrevendo que o comportamento recente de estabilidade ou mesmo queda do preço doméstico de alguns produtos agropecuários – como alimentos in natura, carnes, e alguns grãos – corrobora essa expectativa. “A sazonalidade também favorece a queda do preço do etanol”, pontuou a autoridade monetária. De acordo com o relatório, a alta dos demais bens industriais e dos serviços deve arrefecer moderadamente, mas ainda continuará exercendo pressão significativa sobre a inflação.

Sobre os preços administrados, o documento destaca a incorporação no IPCA, a partir de junho, do reajuste dos planos de saúde individuais.

“Diante dos elevados preços internacionais do petróleo e seus derivados, o cenário também contempla reajuste no preço dos combustíveis no curto prazo”, previu o grupo. De acordo com seus componentes, espera-se que este aumento seja parcialmente revertido ao longo do trimestre com a normalização parcial da margem internacional de refino e mitigado, no caso da gasolina, pelo recuo no preço do etanol.

O RTI explicou ainda que o cenário de referência não incorpora impacto das recentes iniciativas do Congresso Nacional que visam a reduzir impostos sobre combustíveis, energia elétrica e telecomunicações. Por outro lado, o cenário de referência incorpora conservadoramente efeitos do Projeto de Lei nº 1.280/2022, que disciplina a devolução acelerada do Programa de Integração Social/Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins) pago a mais pelos consumidores de energia elétrica.

Revisão das projeções

O Relatório Trimestral de Inflação detalhou os principais fatores que levaram à revisão das projeções de inflação do Banco Central entre o documento divulgado em março e publicado nesta quinta-feira.

O BC destacou que, no cenário de referência, as projeções subiram em todo o horizonte considerado. Para 2022, foi de 6,3% para 8,8%. Já para o ano que vem, passou de 3,1% para 4,00%. A estimativa de 2024 também avançou de 2,3% para 2,7%.

Dentre os principais fatores de revisão para cima, o BC citou: inflação observada recentemente maior do que a esperada; revisão das projeções de curto prazo; elevação do preço do petróleo; propagação via inércia inflacionária das pressões correntes; crescimento das expectativas de inflação da pesquisa Focus; indicadores de atividade econômica mais fortes do que o esperado; e utilização de taxa de juros real neutra maior do que a no Relatório anterior.

“Especificamente para 2022, destaca-se a inflação observada 1,08 p.p. maior do que a prevista para o período de março a maio e a elevação das projeções de inflação de curto prazo, que se propaga no horizonte via inércia inflacionária”, disse o BC, no RTI.

Por outro lado, para baixo, os principais fatores que influenciaram as projeções foram, segundo o BC, a trajetória mais elevada da taxa Selic da pesquisa Focus e a apreciação cambial.

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