Publicidade
SÃO PAULO – Os mercados de câmbio e de juros no Brasil subiram no pregão de hoje, influenciados pela apreensão dos investidores às medidas econômicas do pacote do presidente argentino Eduardo Duhalde, anunciadas no final do domingo. Na Argentina, o câmbio passará a ter regime de flutuação livre, os depósitos e as dívidas serão convertidos em pesos e os salários, aposentadorias e indenizações não terão mais limites de saque. O governo e a Justiça iniciaram uma batalha envolvendo o congelamento de depósitos, o que também preocupa o mercado.
A avaliação da resposta da população às medidas deve ficar mais clara somente na próxima quarta-feira, quando chega ao fim o feriado bancário e cambial decretado em conjunto com o pacote nesta segunda-feira e terça-feira. Os maiores temores estão relacionados aos riscos de hiperinflação no curto e médio prazo e às retiradas de recursos do sistema financeiro nos próximos dias. Em janeiro, a inflação argentina ficou em 2,5% e o governo trabalha com uma projeção considerada otimista de inflação de 15% neste ano.
As taxas de juros dos contratos futuros negociados na BM&F registraram elevação nesta segunda-feira, temendo o contágio da crise sobre a economia brasileira. Em última instância, a crise argentina pode pressionar o dólar no Brasil e assim as metas de inflação do governo, exigindo mais austeridade na política monetária. Neste sentido, o comportamento dos preços deverá ser seguido de perto pelos investidores no mercado futuro de juros. No final desta semana (sexta-feira dia 8), o IBGE deve anunciar a inflação medida pelo IPCA e pelo INPC referente ao mês de janeiro.
Dólar pressionado, sobe nesta segunda-feira
O dólar comercial fechou as negociações cotado a R$ 2,4230 na compra e R$ 2,4250
na venda, em alta de 0,54% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana está sendo negociada a R$ 2,5500, representando um ágio de 5,24% em relação ao dólar comercial.
Na BM&F, o contrato futuro de US$ 1.000 com vencimento em março fechou o pregão cotado a R$ 2.453, alta de 0,57% em relação ao fechamento de R$ 2.439 da última sexta-feira. O contrato com vencimento em abril, por sua vez, registrou alta de 0,48%, atingindo R$ 2.484 frente a R$ 2.472 do fechamento do pregão anterior.
Taxas de juros fecham em alta
O contrato futuro de DI com resgate em julho de 2002, que concentrou a liquidez do mercado, fechou o pregão com taxa de 19,33% ao ano, o que representa uma elevação de 0,05 ponto percentual em relação ao fechamento anterior, em a projeção da taxa de juros apontava para 19,28%. O contrato para outubro de 2002 fechou as negociações registrando taxa de 19,75% ao ano, com alta de 0,15 ponto percentual. Os contratos para maio, por sua vez, encerraram as negociações com a taxa projetada em alta de 0,05 ponto percentual para 19,19% ao ano.
Continua depois da publicidade
A taxa do CDB prefixado de 30 dias fechou o pregão em queda, rendendo 18,99% ao ano, enquanto na sexta-feira a taxa atingiu 19,08% ao ano. Por sua vez, a taxa do CDB prefixado de 360 dias encerrou o dia em alta a 20,50%, acima dos 20,48% registrados na última sexta-feira. Sem variação, a taxa DI-Over rendia 19,05% ao ano no fechamento de hoje.
Ibovespa mantém a tendência de queda
O índice futuro para fevereiro era negociado a 12.490 pontos na BM&F, registrando uma queda de 1,42%, ou 180 pontos, em relação ao fechamento anterior, quando o índice futuro ficou em 12.670 pontos. No mercado a vista, o Índice Ibovespa operava há pouco em baixa de 1,19%, sendo cotado a 12.507 pontos, registrando um volume financeiro de R$ 314 milhões.
Ouro fecha estável
O ouro fechou na BM&F cotado a R$ 23,25 o grama, estável em relação ao fechamento anterior. Já no mercado internacional, o metal fechou em alta em relação ao fechamento anterior e era negociado a US$ 290,10 por onça troy, o que representa uma cotação de R$ 23,90 por grama da commodity.