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SÃO PAULO – O Ibovespa atingiu a mínima do ano na tarde desta segunda-feira (15), deixando para trás o patamar anterior de 53.794 pontos, obtido no intraday do último dia 5, reforçando o cenário negativo que se encontra o mercado brasileiro. Com os preços das ações em baixa, não seria esse o momento certo para voltar a realizar compras ou o momento ainda é de expectativa de mais quedas?
De acordo com Gilberto Coelho, analista técnico da Ativa Corretora, e Wagner Caetano, diretor da Top Traders, o momento ainda requer cautela. “O cenário continua abaixo da média de 200 períodos e a tendência permanece de baixa. Até isso mudar, temos que escolher com bastante cautela os papéis”, destaca Coelho, lembrando que boa parte maioria das ações com maior liquidez no Ibovespa está em tendência de queda, assim como o índice.
Caetano, por sua vez, lembra que o benchmark já vinha fraco nos últimos meses por motivos pontuais – as principais empresas que compõem o índice, como Petrobras e OGX, amargavam duras perdas, prejudicando o resultado final do Ibovespa -, enquanto os mercados norte-americanos atingiam máximas históricas. Desta vez, o mercado lá fora começa a sinalizar a formação de um topo, o que antecede uma correção negativa. “Assim, a pressão vendedora cresceu de maneira significativa no mercado brasileiro”, avisa o diretor da Top Traders.
Índice deve buscar os 52.250 pontos
Ambos concordam: o suporte – região de forte concentração de compradores, onde o índice ou a ação tende a mostrar recuperação – dos 52.250 pontos deve ser a próxima parada do índice, embora ainda exista um suporte intermediário aos 52.500 pontos. “Se perder, pode testar os 50.000 pontos. Mas não dá nem para falar na perda disso ainda, os 52.250 pontos é um suporte muito forte, vamos ver como a bolsa vai reagir”, avisa o analista da Ativa Corretora.
Atualmente, o Ibovespa encontra-se em torno de 53.685 pontos, de acordo com a cotação das 15h45 (horário de Brasília). No seu pior momento nesta segunda-feira, o índice chegou aos 53.499 pontos.
Para Coelho, é bom avaliar os principais papéis do índice, que estão com trajetórias de quedas muito claras, como Petrobras e Vale (VALE3, VALE5), bem como as condições econômicas tanto no front doméstico quanto na esfera internacional. “A possibilidade de alta de juros por aqui e a desaceleração na China tiveram um impacto muito ruim na bolsa”, avalia.
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Solução? Operar vendido
Mesmo com o mercado nessas condições, há chances de ganhos para quem quer operar vendido – ou seja, quem aposta na queda das ações. Nesse tipo de operação, o investidor precisa tomar alugada determinada ação de outro investidor para vendê-la no mercado à vista e um tempo depois recomprá-la, esperando que nesse período o preço dela tenha caído. Dessa forma, ele vende a ação a um determinado preço e compra de volta a um valor menor.
“A gente sempre tem oportunidades de venda no mercado. Vale, Petrobras e PDG Realty (PDGR3) estão sinalizando queda, assim como a OGX Petróleo (OGXP3), por incrível que pareça. No momento estamos com operações vendidas com Gerdau (GGBR4), Rossi (RSID3) e Natura (NATU3)”, diz Coelho.
Situação pode piorar em breve
Caetano ressalta que a queda da bolsa pode ficar ainda mais fraca, já que os investidores estrangeiros – bastante significativos na bolsa brasileira – estão vendidos em contratos de índice, e a cada dinheiro embolsado por conta dos ajustes diários, podem ir aumentando suas posições vendidas. “Vai entrando dinheiro de margem e o investidor vende cada vez mais contratos de índice, com convicção”, afirma.
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Mesmo assim, o diretor da Top Traders ressalta que essa é uma semana crucial para o índice, que pode definir seu comportamento no médio prazo. “Essa semana tem vencimento de contratos de índice futuro e de opções sobre ações, que eleva a volatilidade e o volume negociado. O mercado pode continuar caindo, sem dúvida, mas existe uma possibilidade pequena de que ele faça um fundo por conta disso”, diz Caetano.
Para uma reversão, porém, Coelho ressalta que ainda é preciso ficar de olho para os sinais mais evidentes de reversão. “Cair demais ou subir demais são questões completamente subjetivas. Temos que esperar a sinalização da reversão antes de mudar a mão. Então até inverter em relação a média móvel de 200 períodos, temos que continuar vendendo, usando cada alta como uma nova oportunidade de vendas”, finaliza o analista técnico.