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SÃO PAULO – De olho na recuperação dos EUA e na crise europeia, os investidores iniciam a semana cautelosos, na expectativa da decisão de política monetária no Brasil. “A tendência é de continuidade de um cenário mais positivo, mas não na intensidade dos ajustes vistos na última semana”, apontou Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora.
Já para a equipe de estratégia do Danske Bank, “uma certa calma se abateu sobre os mercados”. Entretanto, ressaltam que a “calmaria” teria origem também na falta de direcionamento para os mercados, em meio à busca por realizações de lucros e pela deterioração das condições de liquidez para os mercados emergentes, conforme o fim do ano se aproxima.
Ainda assim, a trajetória no melhor estilo “montanha russa” não está descartada. “As bolsas de valores mundiais já começam a perder fôlego do seu recente rali e os velhos problemas do velho continente podem novamente permear a mente dos investidores”, ressaltou Jason Vieira, da Cruzeiro do Sul Corretora.
“A ressaca da agenda econômica, após uma semana repleta de indicadores relevantes, deve elevar a volatilidade e diminuir os ganhos em posições comparadas em bolsa de valores”, avalia.
De olho nos BRICs
Segundo relatório da equipe de análise da First Trust Advisors, “os investidores também vão ficar de olho na Irlanda, uma vez que o governo deve apresentar o orçamento para 2011 ao parlamento na terça-feira (7)”. Após seguidas semanas em destaque no noticiário, parece exagero descartar os riscos apresentados pela crise da dívida na Europa.
Mas ficar centrado na anêmica recuperação dos países desenvolvidos pode deturpar a visão do investidor. “Não à toa, a China é agora a maior consumidora de energia do mundo e o quinto maior produtor de petróleo. Em outra medida sobre como os BRICs agora dominam, a Rússia é de novo o maior produtora de óleo do mundo e o Brasil não apenas ultrapassou a Venezuela, como será em breve o maior produtor da América Latina – na frente do México”, avalia Douglas Porter, vice economista-chefe do banco BMO.
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No meio do caminho
A agenda da semana traz ainda a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) na quarta-feira (8), bem como a publicação do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro referente ao terceiro trimestre de 2010, este na quinta-feira (9). Também a sabatina de Alexandre Tombini no Senado, prevista para a terça-feira, poderá trazer sinais importantes.
Fica claro que não só de riscos externos vive o mercado de ações. Seja pela volta das pressões inflacionárias, ou pelo glamour da despedida de Henrique Meirelles do comando do Banco Central, os investidores prestarão atenção à decisão e à retórica do Copom.
Passada a turbulência político-eleitoral, espera-se que a reunião mostre uma resposta da autoridade monetária aos dados recentes sobre inflação. “Pela lógica do sistema de metas para a inflação, deveria elevar a taxa básica de juros. (…) Mas acreditamos que não vai fazê-lo”, afirmou Maurício Molan, economista do Santander.
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Em vez de uma mudança drástica, a aposta é em uma “ginástica retórica” por parte dos membros do Copom. “No mínimo, o BC preparará o terreno para o início do ciclo de aperto já em janeiro”, avalia Molan.