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SÃO PAULO – Em fato bastante aguardado no mercado, a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) anunciou na última sexta-feira, após reunião com investidores, a nova política de dividendos que será proposta na Assembléia Geral Ordinária do dia 30 de abril próximo, que poderá ser implementada a partir do exercício de 2004.
A proposta eleva a distribuição de proventos de 25% para 50% do lucro líquido no ano, incluindo pagamentos semestrais, limitados a cerca de 32% da geração de caixa operacional da empresa. Para a questão da CRC, o programa inclui a retenção de 58% dos dividendos que seriam pagos ao Estado, em 64 parcelas até 32 anos, considerando um ajuste do valor pelo IGP-DI.
Mercado se divide após anúncio
A proposta divulgada pela Cemig tem sido interpretada de maneira diferenciada pelos principais analistas de mercado. Assim, segundo a Fator Corretora, as novas condições são menos atraentes para a companhia, pois anteriormente a Cemig poderia reter 100% dos dividendos pagos ao Estado como garantia. Sobre o assunto, vale mencionar que em dezembro de 2003 a Cemig tinha a receber do Estado cerca de R$ 2,43 bilhões referentes à CRC.
Para a Socopa, a nova política impactará negativamente o fluxo de caixa da empresa, pois a Cemig começará a pagar dividendos ao Estado, o que não vinha ocorrendo. A Merrill Lynch, por outro lado, acredita que o fluxo de caixa da companhia deverá ser impulsionado pela medida, pois, mesmo com a retenção menor dos dividendos do governo estadual, a perspectiva de maiores dividendos para os próximos anos deverá elevar o valor recebido pela empresa referente à CRC.
Outro fato considerado pela Merrill Lynch é que dificilmente o governo do Estado de Minas Gerais honraria seus débitos rigorosamente em dia, sendo a retenção dos dividendos uma das únicas soluções viáveis para que a Cemig possa receber seus créditos da CRC.
Merrill Lynch acredita em benefícios para acionistas
Segundo a opinião da Merrill Lynch sobre a proposta, esta deverá elevar o montante de dividendos pago aos acionistas da Cemig, trazendo um aumento de R$ 620 milhões para R$ 865 milhões para a projeção do banco de investimentos para o volume de dividendos que deverá ser pago pela Cemig em 2005.
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Assim, para os próximos cinco anos, o valor presente da projeção dos dividendos da Cemig foi elevada de R$ 8,5 bilhões para R$ 12,7 bilhões. Mesmo destacando estas perspectivas otimistas, a Merrill Lynch avalia que a Cemig passará a ser associada a um risco político, pois provavelmente futuras administrações no Estado poderão vir a questionar este acordo, que envolve um grande montante de recursos.
Maior parte dos analistas recomenda papéis da Cemig
Se por um lado a Fator afirma que está revisando a recomendação para os papéis da Cemig, bem como para seu preço alvo, a Socopa e a Merrill Lynch reiteram a compra das ações preferenciais da empresa, com a corretora projetando o lote de mil ações do papel a R$ 63,10, para o final do ano, e o banco de investimento estimando o valor do mesmo lote em R$ 64,00, para 6 de janeiro de 2004.
Justificando esta análise favorável, a corretora também acredita que a empresa deverá pagar mais dividendos nos próximos anos, em caso de aprovação da proposta. Além disto, a Socopa avalia que o mercado já considerava improvável um recebimento integral da CRC pela companhia mineira.
Já para a Merrill Lynch, mesmo com as atuais incertezas regulatórias no setor elétrico, as ações da Cemig são as mais atrativas dentre as companhias da área de energia, pois a empresa apresenta altas perspectivas de lucro e geração de caixa, além de um provável benefício com o novo modelo setorial e uma reduzida percepção de risco em relação às outras companhias públicas.
Ações da empresa fecharam em queda
Com os investidores analisando esta proposta da empresa e optando por realizar lucros, após as últimas duas valorizações do papel na bolsa paulista, as ações preferenciais da Cemig (CMIG4) encerraram no pregão de 05/04 cotadas a R$ 48,99, em queda de 3,56%, acumulando uma desvalorização de 7,13% no ano. No mesmo período, o Ibovespa registra uma alta de 0,86%.