Commodities

Restrição de oferta de celulose e inflação de custos preocupam para segundo semestre

Balanços vieram positivos, com receitas alavancadas por preço de celulose em alta e vendas maiores de papel

Por  Augusto Diniz -

Tanto para tanto Suzano (SUZB3) quanto para Klabin (KLBN11) os números dos balanços do segundo trimestre se apresentaram positivos, com preço alto da celulose e vendas maiores de papel. Entretanto, a pressão de custos segue forte, além dos gargalos logísticos persistentes, o que gera preocupações para o segundo semestre.

Além disso, os estoques globais de celulose devem seguir em baixa no segundo semestre, influenciando o preço para cima da commodity. Com a demanda da celulose seguindo em alta, a indústria deve realizar contratos de mais longo prazo ao invés de trabalhar no mercado spot.

Essa avaliação foi reforçada pela Suzano, ao afirmar que o segundo semestre ainda terá oferta restrita de celulose. Leonardo Grimaldi, diretor-executivo da Suzano, afirmou que “os primeiros meses do ano tiveram paradas sem precedentes: 2 milhões de toneladas de celulose não foram produzidas”, por conta do efeito das restrições do uso de madeira na Europa. “A oferta deve continuar restrita nos próximos meses”, afirmou ele, a analistas durante teleconferência de resultados.

Em relatório, a Eleven também ressaltou que o cenário atual de oferta restrita de celulose vai se manter, com a Suzano se beneficiando dos possíveis aumentos de preço. Já para o mercado de papel, a empresa de análise financeira disse acreditar que a sazonalidade do período possa impulsionar as vendas de embalagens.

Em outra vertente, Grimaldi, da Suzano, confirmou que a China tem aumentado exportação de papel de escrever e imprimir: “Eles vêm aumentando volume de exportação, mas por conta de problemas logísticos, se concentra em mercados asiáticos, com efeitos pequenos na Europa e na América do Norte e América do Sul”.

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Inflação de custos

Pelo lado da Klabin, a XP avaliou que a divisão de papel e embalagem sofreu com a inflação de custos no 2T22. A Suzano, pelo seu lado, afirmou que o preço do petróleo mais alto tem influenciado diretamente as questões de custo.

Conforme analistas, há empenho das companhias em diminuir a pressão inflacionária de custos, mas a margem para uma solução é considera baixa. E a situação dos gargalos logísticos persiste. Leonardo Grimaldi reforçou que a “logística continua sendo um problema nos próximos meses”. Por conta disso, há atrasos de entrega de celulose de 60 dias, disse.

O Itaú BBA destacou que os resultados fortes do 2T22 da Klabin foram impulsionados pelo segmento de celulose, cujo Ebitda saltou 50% no confronto trimestral. A divisão de papel e embalagens trouxe resultados sólidos, embora mais fracos na comparação trimestral, informou a instituição.

Investimentos

Para ampliar a oferta, as empresas do setor anunciaram investimentos, mas com reação distintas.

O aumento pela Suzano dos investimentos ao longo de 2022, de R$ 13,6 bilhões para R$ 16,1 bilhões, foi visto como positivo. Já o anúncio de R$ 1,5 bilhão da Klabin para o Projeto Figueira de papel ondulado, teve vários questionamentos de analistas do objetivo do recurso.

O aumento em R$ 2,6 bilhões do capex anunciado pela Suzano tem destino diversificado: novos ativos florestais, manutenção e antecipação de algumas iniciativas visando eficiência financeira. O mercado considerou entre esperado e positivo a elevação de guidance.

De toda forma, o aumento de investimentos não altera os R$ 7,3 bilhões destinados ao Projeto Cerrado esse ano. O CEO da Suzano, Walter Schalka, em apresentação dos resultados do 2T22, afirmou que o empreendimento em construção no Mato Grosso do Sul está dentro do orçamento e do cronograma de obras, e ainda garantiu o comissionamento do projeto no segundo semestre de 2024.

Enquanto isso, o detalhamento do Projeto Figueira sob fogo cerrado, da Klabin, foi marcado por questionamentos de analistas. O CEO da companhia, Cristiano Teixeira, justificou o projeto, que prevê a construção de uma nova planta em Piracicaba (SP), devido ao “crescimento acima da média no Brasil nos últimos anos de papel ondulado”.

Com a iniciativa, acrescentou a empresa, a capacidade líquida incremental de papelão ondulado da Klabin será de aproximadamente 100 mil toneladas por ano.

Teixeira comentou ainda que o projeto tem capacidade de expansão. “Ele melhora o ROIC da nossa cadeia e reduz nosso custo de conversão. Estamos bastante seguros”, destacou. O CEO complementou que apesar do ROIC do projeto ser abaixo da média da Klabin, “é importante para nossa cadeia”.

A companhia aposta na demanda de papelão ondulado, na redução interna nos custos de conversão com desligamento de sites não eficientes, em menores custos logísticos e na diluição de custos fixos. O projeto também está em linha com aposta da Klabin na indústria integrada como modelo de negócios.

Em análise, porém, o Bradesco BBI prevê queda dos preços globais do papel ondulado. “Nos últimos anos, os EUA reduziram significativamente as exportações de papelão, à medida que a demanda disparou. No futuro, no entanto, se uma recessão atingir a economia dos EUA seria natural esperar uma reversão de preços, já que a demanda doméstica por caixas diminuiria, o que levaria a exportações mais altas e pressão internacional sobre os preços”, relatou o banco.

Ao mesmo tempo, a instituição destacou a clareza da Klabin na teleconferência com analistas sobre o Projeto Figueira, e ressaltou, pelo apresentado, que ele oferece retornos razoáveis ​​ao longo do ciclo, especialmente considerando a maior flexibilidade operacional adquirida pela companhia.

Em meio aos questionamentos sobre o Projeto Figueira, o CEO da Klabin garantiu na apresentação ao mercado dos resultados do 2T22 entregar resultados mais fortes no 3T22, principalmente de papel ondulado, produto central da discussão do investimento alto em uma nova planta.

“O período é sazonalmente bom, especialmente para o papel ondulado, segmento que esperamos crescimento de volume de vendas comparado com o mesmo período do ano anterior”, disse ao fim da teleconferência.

Irani (RANI3) também apresentou bons resultados

Completando as empresas de papel e celulose, a Irani (RANI3), segundo análise da XP, teve resultados positivos no 2T22 devido a melhor sazonalidade; aos altos níveis de preços médios de papelão ondulado; e à redução incremental dos preços de aparas. A corretora destacou que as margens da companhia estão se mantendo altas por mais tempo do que o estimado.

A Eleven Financial foi pelo mesmo caminho e relatou que a companhia apresentou no período uma recuperação dos volumes vendidos de papelão ondulado e recuo no preço das aparas.

Para o segundo semestre, a empresa de análise financeira espera um crescimento de volumes típico da sazonalidade do período, o que deve favorecer os resultados da companhia.

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