Análise do balanço

CBA (CBAV3): alumínio em alta impulsiona números e “melhor está por vir”, dizem analistas; empresa foca no mercado interno

Impulso para lucros deve aumentar ainda mais nos próximos trimestres à medida que os efeitos “one-off” estão desaparecendo, avaliam analistas

Por  Lara Rizério, Augusto Diniz -

Com os altos preços do alumínio dando o tom do resultado do quarto trimestre de 2021, a CBA (CBAV3) apresentou resultados considerados bastante positivos no período, com lucro líquido recorde de R$ 615 milhões. 

O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado cresceu 198%, totalizando R$ 501 milhões, impulsionado principalmente pela melhora no resultado do negócio alumínio, decorrente do aumento dos preços de venda praticados, com o aumento do preço do alumínio na LME e a valorização do dólar médio frente ao real, aliado a maiores volumes e melhor mix de produtos vendidos.

A ação, contudo, registra uma sessão de volatilidade, chegando a subir 6,20% (R$ 20,21) na máxima do dia e operando próxima a estabilidade no começo da tarde, depois indo para uma mínima de R$ 18,33, com baixa de 3,68%. Em meio a tanta volatilidade, as ações fecharam a sessão desta quarta no zero, a R$ 19,03.

A XP destacou em relatório que o Ebitda ajustado  ficou 6% acima da sua expectativa e 10% acima do consenso.

“Os principais destaques foram os maiores preços de venda, devido ao aumento do alumínio LME, menores custos de energia e despesas administrativas abaixo do esperado. Do lado negativo, os resultados de energia permaneceram desafiadores, compensados por ganhos não recorrentes”, apontam os analistas.

Já o volume de alumínio primário mais reciclado permaneceu estável no trimestre, deixando o crescimento de receita de 5% no trimestre devido aos preços mais altos do alumínio, mas em linha com as suas expectativas. Em relação à lucratividade, a empresa apresentou um Ebitda/tonelada (ex-hedge) de US$ 601 a tonelada, em linha com os números dos analistas.

” Vemos esses resultados como marginalmente positivos para a CBA. Ressaltamos que os resultados devem melhorar bastante nos próximos trimestres, dada a eliminação gradual da política de hedge (que reduziu o EBITDA ao longo de todo 2021) e a melhora da hidrologia no Brasil, associada aos altos preços que o alumínio vêm apresentando. Mantemos nossa recomendação de compra em CBA”, aponta a XP, ressaltando que “o melhor está por vir”.

O Bradesco BBI manteve recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para a ação, apontando que o impulso dos lucros da empresa deve aumentar ainda mais nos próximos trimestres à medida que os efeitos “one-off” estão desaparecendo (principalmente na estratégia de hedge). Enquanto isso, permanecem positivos para os fundamentos do mercado de alumínio, apoiados pelo crescimento ainda sólido da demanda e oferta restrita globalmente, com baixos estoques, altos preços de energia e possíveis interrupções no fornecimento russo). O preço-alvo do BBI para a ação é de R$ 25, ou potencial de alta de 31% em relação ao fechamento da véspera.

Foco em mercado local

Em teleconferência, Ricardo Carvalho, CEO da CBA, descartou priorizar o mercado lá fora por conta do bloqueio a produtos da Rússia, por conta da guerra na Ucrânia.

“Quando a gente tem excesso de produção, a gente exporta, mas não com objetivo de ganhar novos mercados. Não temos estratégia de ganhar mercados novos porque temos boa parte da produção focada no mercado local. A estratégia de ganhar mercado (lá fora) não seria sustentável por falta de capacidade para fazer isso, uma vez que priorizamos o mercado doméstico”, informou.

O CEO disse ainda que o mercado de alumínio está com dinâmica positiva, com menor oferta, demanda maior no mundo e os estoques pequenos.

De acordo com balanço do 4T21, “a demanda firme de alumínio e a menor disponibilidade de oferta resultaram em um aumento do déficit no mercado global, passando de -108 mil toneladas (kt) no 4T20 para -229 kt no 4T21”. Segundo Carvalho, “o déficit deve ser ainda maior esse ano”.

A companhia ainda informou que adicionará mais 30 mil toneladas de produção de alumínio primário na capacidade instalada da unidade industrial de Alumínio (SP).

O ramp up dessa nova produção começa em junho, chegando a 30 mil/t até o final do ano. Segundo a empresa, esse adicional de produção havia sido informado quando a empresa fez o IPO na B3, em julho do ano passado.

A companhia informou ainda que pretende aumentar a capacidade de produção na unidade paulista de mais 50 mil t de alumínio primário até 2025 – a produção hoje da planta é de 350 mil t.

Sobre a demanda doméstica, a empresa destacou que vê mercado de alumínio estabilizado em 2022. Carvalho apontou que a Associação Brasileira de Alumínio (ABAL) estima crescimento de 12% do mercado em 2021. O executivo, porém, prevê “estabilidade para esse ano”.

Carvalho ainda comentou que o mercado de construção civil está dando indícios de estagnação neste ano, após um forte crescimento em 2021 que impulsionou uma série de segmentos fornecedores de insumos como o alumínio.

Segundo o executivo, “a construção civil cresceu muito em 2021, mas em 2022 a gente não percebe isso. Há até arrefecimento em alguns setores da construção civil, mas continua no bom nível.”

De acordo com o balanço da empresa, “durante a maior parte do ano (2021), a demanda de alumínio dos segmentos de bens de consumo e de autoconstrução foi potencializada pelas políticas de transferência de renda do governo e pelas mudanças de comportamento decorrentes da pandemia. Com o fim do auxílio emergencial e retomada das atividades, o consumo de alumínio nesses segmentos sofreu um leve arrefecimento no 4T21”.

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