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SÃO PAULO – Com a Líbia ainda em foco e sem certezas de como ou quando a situação irá se estabilizar, parte dos mercados acionários voltam a registrar uma manhã de queda ao redor do globo. Nesta quarta-feira (23), as manchetes voltam-se ao discurso do líder líbio Muammar Khaddafi e à reação europeia em relação à crise no norte da África.
Porém, além do noticiário político, os investidores também ficarão atentos à agenda norte-americana, à espera de discursos de representantes do Federal Reserve e dos dados do Existing Home Sales.
“A crise no Oriente Médio irá continuar a ser o principal driver dos mercados no curto prazo, mas seu desenvolvimento é bastante imprevisível, então cautela é recomendada”, sugere o Danske Bank. “Em relação aos dados, as vendas de casas usadas nos Estados Unidos serão o principal motor. Nós e o consenso esperamos por um pequeno declínio depois de um número muito forte no último mês, no qual as vendas subiram 12%”. O indicador, referente a janeiro, será anunciado às 12h (horário de Brasília).
Em termos de discursos, chamam a atenção os pronunciamentos de Thomas Hoenig, presidente do Fed de Kansas City, e Charles Evans, presidente do Fed de Chicago. Ambos possuem visões diferentes em relação aos rumos que a política monetária deve tomar, com Hoenig defendendo uma elevação no juro básico e Evans sugerindo que não há pressas para apertar a política.
Novidades da Líbia
Sem uma cobertura consistente dos conflitos, resta à mídia internacional divulgar rumores e reações oficiais aos protestos. Dessa forma, o noticiário é permeado por estimativas de mortos – que, segundo o Ministério do Exterior da Itália, já chega a mil pessoas – e discursos de Khaddafi.
O líder líbio prometeu continuar no país e “morrer como um mártir” em pronunciamento na TV estatal na última terça-feira (22). Segundo ele, as forças do governo tomarão a parte leste do país, que atualmente estaria sob o controle dos rebeldes.
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À violência do conflito vem uma resposta da França. O presidente do país, Nicolas Sarkozy, irá pressionar a União Europeia por sanções à Líbia, inclusive com a possibilidade de suspensão das relações econômicas, comerciais e financeiras. Em nota, o departamento da presidência afirmou que “a comunidade internacional não pode se manter como espectadora dessas violações maciças dos direitos humanos”.
Contudo, as informações são vistas por alguns como já precificadas. “A Líbia ainda irá dominar as manchetes da imprensa, claro, mas por hora os mercados parecem ter precificado todas as informações disponíveis”, avaliou o economista do UBS Paul Donovan. “O principal foco para os investidores é a oferta de petróleo – e na falta de maior clareza sobre a política líbia parece haver pouca razão para que os preços do mercado mudem ainda mais”.
Ata do BoE, indústria e Grécia
Na agenda de indicadores, destaque para a divulgação da minuta da última reunião do BoE (Banco da Inglaterra). Com a inflação na pauta dos formuladores de política monetária, cresceu o número de membros da autoridade votando a favor de um aumento dos juros no Reino Unido.
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Além disso, a Eurostat, agência oficial de estatísticas da União Europeia, divulgou o número de novos pedidos à indústria na Zona do Euro em dezembro. Na passagem mensal, foi registrado um aumento de 2,1% dos novos pedidos feitos na região.
Nesta quarta-feira a Grécia também volta a ser destaque. Manifestando-se contra as medidas de austeridade adotadas pelo governo, o setor de transporte público realiza uma greve geral no país, no que será acompanhado de advogados, médicos do setor público, jornalistas, professores e pequenos empresários.
Cautela, resultados e política
“Cautela é o nome e regra do jogo no curto prazo”, escreveu a Ágora Corretora, resumindo o cenário para o mercado doméstico. Além do noticiário internacional, os investidores devem avaliar as novidades políticas e econômicas do Brasil.
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Nesta sessão será votado o projeto de lei 1/2011, que fixa o salário mínimo em R$ 545 para este ano. A expectativa é de que a matéria passará sem dificuldades, a exemplo de sua aprovação na Câmara dos Deputados.
Na esfera corporativa, são os resultados que chamam a atenção. Destaque para a Usiminas (USIM3, USIM5), que registrou lucro líquido de R$ 413 milhões no quarto trimestre de 2010, 38% abaixo do apurado no mesmo período de 2009; e para a GOL (GOLL4), cujos ganhos líquidos somaram R$ 132,2 milhões nos últimos três meses do ano passado, queda de 66,8% na comparação anual. Ademais, para esta quarta-feira estão programados os anúncios dos balanços de Indusval, Globex, Pão de Açúcar, Natura, Ultrapar, Le Lis Blanc e Iochpe-Maxion, todos para depois do fechamento dos mercados.
Na agenda econômica, foi anunciado o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor), que registrou queda da inflação na terceira prévia de fevereiro com variação de 0,70%, 0,33 ponto percentual menor que a registrada no mesmo período do mês anterior. Já o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) registrou desaceleração da inflação na terceira semana de fevereiro ao marcar variação positiva de 0,61%, taxa 0,21 ponto percentual inferior àquela vista na medição anterior. Esta é a menor taxa registrada desde a última semana de outubro do ano passado.
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Por fim, o Banco Central encerra as referências domésticas com a Nota do Setor Externo, contendo dados sobre o balanço de pagamentos e as reservas internacionais.