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O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, contaminado pelo viés mais negativo no exterior, com o barril do petróleo superando os US$100.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,93%, a 185.629,04 pontos, tendo marcado 187.362,44 na máxima e 184.810,27 na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$26,7 bilhões. Na véspera, o índice tinha fechado aos 187.366,84 pontos – maior patamar desde 4 de maio.
Em meio a uma nova escalada nos conflitos no Oriente Médio, o barril de petróleo sob o contrato Brent (LCOc1) avançou para US$101,21 (+3,36%), adicionando preocupações com a oferta da commodity e seus impactos na inflação global.
Na visão do especialista em investimentos Augusto Parente, fundador da AW Capital, o movimento do petróleo eleva expectativas de inflação mais alta ao redor do mundo, impactando diretamente a chance de o Federal Reserve subir os juros neste mês.
Em Nova York, o S&P 500 (.SPX) caiu 0,48%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos marcava 4,8406% no final do dia, de 4,804% na véspera.
A apreensão com os reflexos do avanço do petróleo minou o apetite a risco na sessão, o que corroborou ajustes na bolsa paulista, após desempenho mais robusto na véspera, quando o Ibovespa marcou uma máxima intradia desde o final de abril.
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Dados da B3 disponibilizados nesta quarta-feira mostraram que o fluxo de estrangeiros para as ações brasileiras segue positivo, com uma entrada líquida de R$5,3 bilhões em setembro até o dia 4.
Brasília também continua ocupando as atenções, com investidores ainda buscando avaliar os efeitos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) na corrida presidencial.
Nesta quarta-feira, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal um dia após o colega da corte, André Mendonça, ter ordenado o afastamento dele do cargo.
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No final da tarde, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, cassou as decisões de Mendonça e Dino sobre o diretor-geral da PF.
“O mercado é muito movido pelas surpresas, o que vem afetando os mercados são variações do mesmo tema. Enquanto não tiver um movimento definitivo do fim do conflito entre EUA e Irã em que diminua o risco e a eleição brasileira, os ativos vão oscilar bastante”, afirma Rodrigo Knudsen, sócio da Portogallo Family Office.
Na última hora do pregão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou decreto que reduziu o PIS/Cofins sobre a gasolina em R$ 0,63 por litro de gasolina e que corta o PIS/Cofins em R$ 0,19 por litro do etanol, zerando toda a tributação do produto. Também assinou Medida Provisória que prevê alívio de mais R$ 1 no litro do diesel. Para os especialistas e analistas, porém, o efeito sobre a renda variável local foi limitado.
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“Com o Brent beirando US$ 100, o petróleo mais alto significa inflação mais alta e, com isso, menos espaço para cortes de juros. Isso penaliza os ativos de risco. Nesse cenário, quem vai melhor são petróleo e commodities. E essas medidas do governo para conter o preço dos combustíveis, na minha visão, não fazem muito preço, o movimento do setor vem muito mais da alta do petróleo do que da medida em si”, afirma Rodrigo Alvarenga, sócio da One.
Lucas Tambellini, head de renda variável da Lifetime, concorda que o efeito das medidas anunciadas fez pouco preço. “O mercado mudou pouco depois dessa notícia. Hoje temos espaço para o investidor embolsar mais lucros, além de estarmos importando esse movimento de risk off fuga do risco global por conta dos Estados Unidos e do Irã, já que o conflito entre eles só tem se agravado. Mas vejo espaço para a bolsa andar mais à frente, porque a nossa bolsa continua com um valuation avaliação de preço bem descontado”, diz.
DESTAQUES
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• ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) recuou 1,98%, em pregão de ajustes após sete altas seguidas, com o setor como um todo no Ibovespa com sinal negativo (.IFNC). BRADESCO PN (BBDC4) caiu 2,36%, BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) perdeu 1,86%, SANTANDER BRASIL UNIT (SANB11) cedeu 1,41% e BTG PACTUAL UNIT (BPAC11) fechou negociado com declínio de 2,43%. Investidores também estão atentos a possíveis medidas do Banco Central para lidar com o endividamento da população.
• PETROBRAS PN (PETR4) subiu 0,69% e PETROBRAS ON (PETR3) avançou 0,85%, apoiadas mais uma vez pelo movimento dos preços do petróleo no mercado internacional. O governo brasileiro também publicou nesta quarta-feira medida provisória que destina R$6,6 bilhões para subvenções de produção e importação de combustíveis, bem como decreto reduzindo temporariamente em R$0,63 as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre o litro de gasolina e zerando as contribuições sobre o etanol hidratado.
• VALE ON (VALE3) fechou com acréscimo de 0,1%, em sessão marcada pela fraqueza dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian (DCIOcv1) fechou o pregão diurno com queda de 0,27%. No setor de mineração e siderurgia, CSN ON (CSNA3) avançou 7,4%, tendo ainda de pano de fundo relatório de analistas do BTG Pactual iniciando uma recomendação tática de compra para os papéis.
• TENDA ON (TEND3) caiu 6,03%, em pregão negativo para construtoras na bolsa paulista, com DIRECIONAL ON (DIRR3) também na ponta negativa, com recuo de 4,37%. O índice do setor imobiliário (.IMOB) fechou em queda de 2,56%, tendo no radar a alta das taxas dos contratos de DI. A Tenda (TEND3) também informou na véspera que Marcos Cruz assumiu a posição de presidente-executivo da companhia, em sucessão a Rodrigo Osmo.
• YDUQS ON (YDUQ3) avançou 2,51%, referendada por relatório de analistas do JPMorgan reiterando recomendação “overweight” para os papéis, bem como o preço-alvo de R$17 e a preferência pelas ações em relação aos papéis da Cogna (COGN3), citando uma perspectiva melhor para o segundo semestre. COGNA ON (COGN3) recuou 3,27%.
(com Reuters e Estadão Conteúdo)