Caso Pet Manguinhos e o risco de especular com “micos” na bolsa

"Qualquer tipo de notícia ou especulação faz com que haja uma variação percentual bastante forte neste tipo de papel", lembra analista

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SÃO PAULO – O caso da refinaria Pet Manguinhos, que possui ações negociadas na Bolsa de São Paulo (RPMG3, RPMG4) e teve recentemente seus terrenos desapropriados pelo governo do estado do Rio de Janeiro reacende uma discussão comum entre os investidores de ações: o risco de operar com papéis de empresas menores, com baixa liquidez e cujos papéis valem poucos centavos.

Conhecidos pelo jargão popular como “micos”, esses papéis costumam oferecer um risco elevado para quem os negocia. Como a ação vale poucos centavos, uma oscilação de um único centavo pode significar uma perda – ou ganho – percentual bastante elevado. É nisso que apostam a maioria dos investidores e especuladores que entram neste tipo de ação.

“Como o valor da ação é baixo, qualquer tipo de notícia ou especulação faz com que haja uma variação bastante forte em termos percentuais”, pontua o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger. Da mesma maneira que o investidor pode ter ganhos acentuados, ele lembra que as chances de fortes perdas também são grandes. “É um risco altíssimo. Você entra para pegar um movimento, mas como não tem muita idéia dos fundamentos daquela empresa, pode ser surpreendido”, ressalta o analista.

Brugger lembra que a maioria das pessoas que compram essas ações para especular utilizam a análise técnica para ter uma idéia do momento certo de entrar e sair do papel. Mas, mesmo a observação dos gráficos pode ficar distorcida com estas ações. “As vezes existem distorções por conta da baixa liquidez, dependendo do papel que você vai comprar”, alerta.

O analista aponta que o investidor que compra ações deste tipo, sem conhecer o mínimo sobre os fundamentos da empresa, apenas com o objetivo de conseguir ganhos no curto prazo acaba se tornando mais um “apostador” do que um investidor. “Ele passa a ser um ‘torcedor’ e na maioria dos casos, ele tende a perder dinheiro no longo prazo”, afirma o analista.

Separar o “Joio do trigo”
O analista-chefe da corretora SLW, Pedro Galdi, aponta que não é porque a ação de uma empresa vale apenas alguns centavos que ela não tem nenhum fundamento e que deve ser completamente esquecida. Segundo ele, existem empresas com valor de mercado mais baixo mas que têm potencial de crescimento e possuem uma administração séria, mas o investidor deve analisar bem antes de comprar um papel como este.

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“Este tipo de empresa normalmente não tem uma cobertura grande das corretoras, então você não encontra relatórios tão facilmente. Por isso, é importante conversar com o analista da sua corretora e pedir indicações antes de decidir comprar uma ação deste tipo acreditando no crescimento da empresa”, pontua.

Já para quem compra para especular, ele concorda que o risco sempre será altíssimo. “Aí é outra história, o investidor tem que estar preparado para a oscilação do papel”, diz.

Pet Manguinhos e outros casos
O governo do Rio de Janeiro justificou a desapropriação do terreno onde está instalada a refinaria dizendo que a arrecadação de tributos por parte da Pet Manguinhos empresa é muito baixa perto da movimentação econômica da companhia.

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Em nota, o governo aponta que a refinaria pagou R$ 119 milhões de ICMS em 2011 e R$ 98 milhões até setembro de 2012, sendo que quase todo este valor é referente à importação de derivados de petróleo. Já em relação à venda do que foi produzido a partir do óleo importado, o estado do Rio de Janeiro informa que não há registros sobre arrecadações.

A Pet Manguinhos informou, também em nota, que está analisando as medidas que podem ser tomadas. As ações da refinaria tiveram seus negócios suspensos no dia 15, quando surgiram rumores sobre o anúncio de desapropriação do terreno. O retorno das negociações estava previsto para esta quinta-feira, mas uma liminar obtida pela companhia manteve os negócios suspensos.

Outro caso recente foi o do banco Cruzeiro do Sul. Depois de ter a intervenção anunciada pelo Banco Central, as ações do banco despencaram na bolsa, e passaram a ser negociadas por especuladores na intenção de aproveitar as fortes oscilações que se seguiram nos meses seguintes.

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Assim como alguns investidores tiveram lucro nas operações, muitos amargaram fortes prejuízos. “O investidor sabia que a instituição estava seriamente ameaçada e comprou apenas com a intenção de especular, mesmo. Neste caso, o risco era altíssimo e é preciso ver se compensa”, diz o analista da Leme.

Outra situação parecida aconteceu com a Agrenco. A companhia teve a negociação de seus BDRs (Brazilian Depositary Receipts) – instrumento que permite a listagem de empresas estrangeiras na Bolsa brasileira – suspensa no início de 2010, também devido à falta de divulgação de balanços financeiros.

No dia em janeiro de 2011, após mais de 11 meses com as negociações suspensas, os papéis da companhia Holandesa que também possui negócios no Brasil voltaram a ser operados na Bovespa e registraram queda de mais de 65% nos dois primeiros dois dias de negociação. 


Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip