Caso Northern Rock explicita estado de alerta diante da chance de corrida bancária

Para proteger imagem e credibilidade, banco inglês é obrigado a apelar ao socorro de autoridades e à retórica

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SÃO PAULO – Quem visita o site oficial do Northern Rock, banco inglês tomado como ícone dos problemas com o subprime, depara-se com a seguinte mensagem, em letras garrafais: “Seus recursos estão a salvo com o Northern Rock”.

A instituição faz questão de esclarecer aos clientes que está aberta para negócios como sempre, graças a garantias dadas pelo Tesouro britânico. “Her Majesty’s Treasury“, o comunicado faz questão de citar.

Outros bancos abertos para negócios como sempre não dedicam a página principal de seus sites para confortar clientes temerosos. Isso porque só atesta normalidade quem precisa atestar. E o Northern Rock precisa.

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Evidências de crise

A situação do banco inglês é emblemática de urgências necessárias para evitar uma corrida bancária de grandes proporções. Valem mensagens oficiais e extra-oficiais, empréstimos de curto prazo e, se nada mais funcionar, a ajuda do Banco Central.

O panorama crítico ficou claro quando o Northern Rock solicitou um financiamento emergencial ao BC. Centenas de clientes viram a notícia como um alerta de que seus depósitos poderiam ser bloqueados. Eles correram para as agências exigindo dinheiro, alheios a eventuais explicações.

A cena exigiu atenção especial das autoridades monetárias inglesas. Pois todo Banco Central sabe que saques simultâneos e generalizados resultam na falência de uma instituição financeira, com boa chance de contaminar as demais.

Ponderando o que fazer

Bancos Centrais costumam decidir sobre um socorro solicitado de acordo com o perfil de suas justificativas. Se a dificuldade é de todo o mercado, mas se manifestou de forma especial no banco em apuros, então a resposta normalmente é positiva. Já se os problemas nasceram a partir de negligência particular em relação a riscos, o BC diz não.

Na prática, entretanto, nada é tão simples. Além dos fatores acima, o Banco Central precisa avaliar se a falência de uma instituição isolada é capaz de alastrar preocupações sobre todo o sistema.

Freqüentemente, os correntistas não conseguem discernir entre a doença do Northern Rock e a saúde de seu próprio banco. Assim, a corrida se configura de maneira indutiva, pela elevação de um caso particular à categoria geral.

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Agradecimentos

Para prevenir esse contexto trágico, as autoridades monetárias podem ajudar um culpado, mesmo que a contragosto. Contudo, a intensidade da ajuda é medida criteriosamente. De modo que o banco tenha sua sobrevivência condicionada aos devidos esclarecimentos e uma mudança radical de postura.

Obedecendo as diretrizes, o Northern Rock termina seu comunicado dizendo “obrigado pelo apoio e compreensão”. O agradecimento é para os clientes, mas poderia perfeitamente caber a Her Majesty’s Treasury.