Caso a caso: como as renovações impactam Eletrobras, Cesp e Cteep?

Santander explica os impactos da renovação das concessões de energia para empresas vista como as mais afetadas com este processo

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SÃO PAULO – Todas as empresas ligadas ao setor de energia estão de alguma forma sendo influenciadas neste ano por momentos de importantes de definições sobre as renovações de contratos de concessões de energia elétrica e por corte de impostos e reduções nos encargos a fim de garantir a queda do valor das tarifas no Brasil.

No entanto, a equipe de análise do banco Santander aponta três delas como as mais afetadas por este cenário: a Eletrobras (ELET3, ELET6), Cesp (CESP6) e Transmissão Paulista (TRPL4). Para entender o quanto essas mudanças no setor de energia podem afetar cada uma dessas empresas, os analistas Marcio Prado, Danilo Vitti e Carolina Carneiro detalham as características de cada uma delas e os pontos mais sensíveis de serem analisados neste sentido.

Em relação aos principais pontos ainda que envolvem o setor de energia elétrica, os analistas apontam o valor das tarifas industriais de energia elétrica, que superaram a inflação em 28%, interferindo na competitividade no setor. Para reverter essas perdas, o Governo Brasileiro vem adotando medidas como a redução de impostos, encargos setoriais e custos de produção por meio de renegociação da renovação de contratos de concessão.

A presidente Dilma Rousseff já sinalizou na última quinta-feira (5), que redução das tarifas de energia elétrica ficará em torno de 10% para consumidores residenciais e de 20% para a indústria. A decisão está prevista para ser anunciada na próxima terça-feira (11), junto ao detalhamento da retirada de encargos que incidem nas contas de luz e o anúncio das regras de prorrogação das concessões que vencem a partir de 2015.

Sobre o vencimento das concessões de energia, a expectativa dos analistas é de que os contratos entre 2015 e 2017 sejam renovados, considerando recentes conversas mantidas com entidades governamentais, como a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e Ministério de Minas e Energia.

“Em nossa opinião, as concessões das usinas de geração e linhas de transmissão serão renovadas por meio de uma estrutura baseada o ROA (Retorno Sobre Patrimônio), na qual a base de ativos regulatórios (ou RAB) se baseia nos custos de reposição, depreciados proporcionalmente pelos anos de operação”, explicam os analistas.

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Eletrobras: a mais afetada pelas renovações
Analisando cada uma dessas empresas caso a caso, os analistas destacam que a Eletrobras tende a ser a mais afetada pelo processo de renovação das concessões, considerando que as suas concessões são mais antigas que da Cesp.

Segundo os analistas, a empresa vem melhorando seu desempenho operacional e os resultados acumulados em 2012 foram impulsionados pelo câmbio e pelos preços no mercado à vista. Contudo, depois da renovação de concessões, existe o risco de revisão para baixo das estimativas, o qual pode resultar em queda nos lucros e, consequentemente, a não garantia de fluxo de dividendos.

Diante disso, o banco optou por reiterar a recomendação neutra para Eletrobras, considerando que mesmo diante dos bons resultados, a renovação de concessões terá um impacto negativo sobre a geração de fluxo de caixa.

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Cesp: expectativa por privatização
Já em relação a Cesp, a perspectiva se mostra mais animadora em consequência do possível processo de privatização da companhia, que permitirá seguindo os analistas, a redução de custos, uma melhor estrutura de alavancagem e melhor gerenciamento de comercialização de energia a preços competitivos. Tal cenário garante a recomendação de compra para os ativos da companhia.

“O governo do estado de São Paulo afirmou sua intenção de privatizar a Cesp. Já foram feitas três tentativas para vender a empresa, as quais não se concretizaram por diferentes motivos. Agora, acreditamos que o único obstáculo que impediria a privatização é a incerteza a respeito dos contratos de concessão da empresa – que serão finalmente renovados”, explicam os analistas.

Transmissão Paulista: momento de cautela
Por fim, os analistas optaram por reiniciar a cobertura para as ações da Transmissão Paulista com recomendação de manutenção. Para eles, apesar da natureza mais estável das empresas exclusivas de transmissão e dos dividend yields acima da média, a companhia apresenta alta exposição aos riscos de renovação.

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Neste caso, as renovações de concessões teriam impactos, na opinião dos analistas, na queda nos retornos e aumento nos riscos. “O principal contrato de concessão da Cteep (70% de sua receita atual) deve terminar em 2015. Nossa expectativa é que as concessões sejam renovadas, porém como os retornos regulatórios estão caindo de maneira drástica, nosso cenário básico estima que o processo de renovação irá resultar em uma redução de 30% na RAP (Receita Anual Permitida), em vigor já em 2013”, explicam Prado, Vitti e Carneiro.

Além disso, os analistas explicam que o reajuste da receita passará a ser feito pelo índice IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) e não pelo IGP-M (Índice Geral de Preço- Mercado) como anteriormente. “Cada redução de 10% na RAP implica uma queda de 15% em nosso preço-alvo”, explica.