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Carteira automatizada Bunker da XP supera Ibovespa e aposta em resiliência

Carteira supera o Ibovespa desde 2021 e busca retorno com risco controlado em cenários de alta volatilidade

Bruno Nadai

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O mercado de renda variável brasileiro voltou a ganhar tração em 2026, mas, ao mesmo tempo, segue exposto a um ambiente global carregado de incertezas. Nesse cenário, estratégias que combinam retorno com controle de risco passam a chamar atenção do investidor que busca consistência sem abrir mão da exposição à renda variável.

Nesse contexto, Felipe Perigolo, analista técnico CNPI-T e sócio da XP, concedeu entrevista ao InfoMoney e detalhou o funcionamento da carteira automatizada Bunker, estratégia quantitativa criada para atravessar períodos de estresse com menor volatilidade e geração recorrente de alfa frente ao Ibovespa.

Desempenho acima do índice

O destaque mais direto está na performance recente da carteira em comparação com o principal índice da Bolsa. Segundo Perigolo, o modelo segue entregando retorno superior mesmo em um ambiente desafiador. “Hoje a carteira está com 18,87% de year to date (YTD), de janeiro até agora, contra 16,26% do Ibovespa”, afirma.

Além disso, quando ampliamos o horizonte de análise, o ganho relativo se torna ainda mais evidente ao longo do tempo, reforçando a consistência da estratégia desde sua criação. Esse movimento pode ser observado na evolução acumulada da carteira frente ao Ibovespa desde novembro de 2021, período em que a carteira foi lançada.

Evolução da carteira Bunker da XP em comparação ao Ibovespa desde 30/10/2021 até 30/04/2026

O gráfico mostra que, mesmo em momentos de maior volatilidade, a carteira mantém uma trajetória mais consistente de valorização, construindo vantagem de forma progressiva. Esse comportamento reforça a proposta do modelo de capturar ganhos sem depender de movimentos extremos de mercado. “A gente está falando de 131,58% de performance frente a 80,98% do Ibovespa. A carteira teve um alfa aí de quase 50% em cima do Ibovespa”, observa.

Carteira Bunker da XP – Year to date (YTD) e retorno desde o início da carteira

Diante disso, essa leitura de longo prazo funciona como base para entender não apenas o retorno acumulado, mas também a forma como a estratégia atravessa diferentes ciclos de mercado sem comprometer sua estrutura. “Ela foi lançada na Carteiras Automatizadas, o produto da XP, em janeiro de 2022, e ela roda até então com um belo track”, conclui.

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Consistência ao longo dos anos

Além da visão acumulada, o desempenho também se destaca quando analisado ano a ano, evidenciando a capacidade da estratégia de gerar resultado em diferentes cenários de mercado, inclusive em períodos marcados por maior instabilidade macroeconômica.

“Desde a criação desta carteira, ela sempre fechou acima do Ibovespa. Em 2024 a gente fechou negativo, inclusive, foi o único ano negativo da carteira, mas ainda acima do Ibovespa”, relata.

Nesse contexto, os dados mostram que a carteira conseguiu superar o Ibovespa de forma recorrente, com destaque para momentos mais desafiadores, reforçando a robustez do modelo ao longo do tempo. “A carteira sempre gerou alfa acima do Ibovespa”, afirma.

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Por outro lado, não se trata apenas de retorno absoluto. O diferencial está na eficiência dessa entrega em termos de risco, algo essencial para quem busca consistência na renda variável. “A vol anualizada do Ibovespa hoje está em cerca de 16%, a carteira está com 16,2%”, explica.

Consequentemente, o resultado é uma geração consistente de alfa com controle de volatilidade, o que sustenta o posicionamento da estratégia como alternativa mais equilibrada para exposição à Bolsa.

Cenário e proposta

Mais do que retorno, o que sustenta a estratégia é o contexto em que ela foi criada. O modelo nasceu em um ambiente de crise e incerteza, o que moldou sua proposta desde o início. “A carteira nasceu com uma proposta de oferecer um portfólio resiliente”, afirma.

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Na prática, o contexto de 2022 guarda semelhanças com o cenário atual, marcado por tensões geopolíticas e incertezas macroeconômicas. Isso reforça a relevância da estratégia no momento presente. “A gente está num período muito similar a 2022”, observa.

Além disso, o histórico da carteira em momentos de estresse funciona como argumento adicional para sua consistência. Mesmo em um ano turbulento, como foi o de 2022, o desempenho superou o índice com folga. “Ela somou 12% de retorno frente a 4,6% do Ibovespa”, explica.

Diante disso, a leitura de Perigolo é de que a estratégia mantém validade no ciclo atual, especialmente para quem busca exposição com controle de risco.

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Estrutura e rebalanceamento

A estrutura da carteira segue uma lógica disciplinada, baseada em dados e com ajustes periódicos bem definidos. O rebalanceamento é parte central do processo, garantindo adaptação às mudanças de mercado. “Basicamente, a carteira tem sim rebalanceamento mensal”, afirma.

Por sua vez, existe uma janela específica para esse rebalanceamento. Esse processo pode envolver a troca de ativos ou o ajuste de seus pesos. “Vai acontecer mais ou menos no meio do mês, no dia 14 pro dia 15”, explica.

No entanto, nem todo rebalanceamento implica mudanças significativas na composição. Em alguns períodos, a estratégia mantém os mesmos ativos e apenas recalibra a exposição de cada um deles. “Não necessariamente há troca de ativo todos os meses”, observa.

Atualmente, a carteira trabalha com uma diversificação relativamente enxuta, o que facilita a gestão e o controle de risco. A seleção é orientada por modelos quantitativos. “A carteira hoje tem 11 ativos”, pontua.

Modelo quantitativo

Ao mesmo tempo, a base da estratégia está em uma modelagem estatística voltada à identificação de ativos mais resilientes. Esse filtro é o que sustenta o conceito de “bunker” dentro da carteira. “São ativos onde a carteira passa para uma modelagem de dados”, afirma.

Na prática, a proposta não é eliminar risco, algo impossível em renda variável, mas sim reduzir sua exposição relativa. A ideia central é melhorar a relação risco-retorno ao longo do tempo. “A ideia principal do portfólio é oferecer o menor risco possível dentro da renda variável”, explica.

Outro ponto relevante é a flexibilidade de instrumentos dentro da carteira. Embora atualmente concentrada em ativos do Ibovespa, a estrutura permite diversificação maior. “A carteira pode trabalhar com ações que compõem ou não o índice Ibovespa, ETFs e BDRs”, observa.

Hoje, inclusive, já existe a presença de um ETF específico dentro do portfólio, reforçando a estratégia de proteção. Essa escolha está alinhada à proposta de resiliência. “Hoje no portfólio a gente tem apenas ativos que compõem o Ibovespa e um ETF, que é o Gold11”, conclui.

Automação e execução

Além da construção da carteira, um diferencial relevante está na forma de execução das operações. A automatização elimina fricções operacionais e reduz o risco de erro humano no rebalanceamento. “A automatização possibilita eu enviar a lâmina pra mesa da XP e fazer o rebalanceamento automático”, afirma.

Com isso, o processo passa a ser executado diretamente na conta do investidor, sem necessidade de ação manual. Esse modelo melhora a aderência à estratégia original. “Nem o assessor, nem o cliente precisa tomar nenhuma ação”, explica.

Além disso, essa dinâmica garante maior disciplina na execução, evitando interferências emocionais. Em um ambiente de volatilidade, esse ponto se torna ainda mais relevante. “Isso acontece de forma automática, direto na conta do cliente. Sem ele precisar fazer absolutamente nada”, observa.

Portanto, a automação funciona como um elemento complementar ao modelo quantitativo, reforçando a consistência da estratégia ao longo do tempo.

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