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SÃO PAULO – Pode parecer brincadeira, mas 74% dos consumidores sequer sabem o que é imposto. Para a parcela restante, o tributo se resume a “taxas embutidas sobre tudo o que compram”.
A constatação faz parte de um estudo inédito encomendado ao Ipsos-Opinion pela ACSP (Associação Comercial de São Paulo). Foram entrevistados, no mês de abril, 608 chefes de família do Estado de São Paulo.
Maioria não explica, mas sente no bolso sua existência
As pessoas podem até não saber o que significa exatamente um imposto, mas sentem no bolso o peso da carga tributária brasileira. Basta notar que 93% dos entrevistados afirmaram que o dinheiro arrecadado não é bem aplicado, sendo que as prefeituras, para 35% deles, são as que melhor aplicam os recursos provenientes de impostos.
Guilherme Afif Domingos, presidente da ACSP, ressalta que esta percepção do consumidor traz à tona outra questão: o destino da arrecadação de impostos. Da forma como funciona atualmente, 60% dos recursos vão para o Governo Federal, 25% para os estados e 15% para os municípios.
A maioria absoluta dos entrevistados, 97%, destacou ainda que além das “taxas”, acabam arcando com despesas extras como plano de saúde, escola e segurança privados, serviços que deveriam ser prestados com qualidade pelo próprio Governo, por meio dos recursos arrecadados.
Sobre a razão para o crescimento da inflação, 24% acreditam que os juros aplicados pelo Governo são o grande mal; enquanto 23% atribuem o cenário atual aos desperdícios e à má aplicação do dinheiro; e 21%, aos impostos.
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IPTU foi o mais lembrado
E quais os impostos mais lembrados pelos consumidores? O IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), como não poderia deixar de ser, ganhou disparado: 68% das respostas. Afinal, mesmo que não sejam donos de seu próprio lar, qualquer pessoa paga o imposto anual.
Em seguida vem o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), com 28%.
Trabalho de esclarecimento
Domingos destaca que, embora a população não esteja tão informada sobre os impostos como deveria, é importante relevar a consideração da maioria de que a tributação brasileira é elevada e crescente.
Diante disto, um bom trabalho de esclarecimento, segundo ele, é o ponto de partida para que o brasileiro, cada vez mais, seja motivado e tenha condições de “exigir a aplicação da arrecadação na forma de serviços públicos de qualidade, exercendo o seu papel de contribuinte cidadão.”
Três ferramentas desenvolvidas pela ACSP ajudam na campanha educativa: o Feirão do Imposto, a Calculadora do Imposto e o Impostômetro.
No Feirão do Imposto, por exemplo, é possível que o consumidor saiba reconhecer o peso dos impostos sobre os produtos que compra no dia a dia, como um shampoo, um pacote de arroz etc. Os produtos são expostos em um supermercado simulado.
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Por sua vez, a Calculadora do Imposto revela ao cidadão quanto ele paga em impostos sobre sua renda, bens e o que consome. Finalmente, o Impostômetro, mostra quanto os cidadãos brasileiros recolhem aos cofres públicos a cada segundo.