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SÃO PAULO – A despeito de diversos programas de popularização da renda fixa, como o Tesouro Direto, tentarem estimular a liquidez deste segmento do mercado de capitais, o volume no mercado secundário de títulos de renda fixa e sua base de investidores ainda são bastante restritos. Esta constatação faz parte de relatório acerca do desempenho do setor publicado pela Andima (Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro).
De acordo com a associação, a expressiva melhoria nos fundamentos macroeconômicos brasileiros, que se reflete no comportamento do risco-país, bem como o perfil de endividamento mais favorável, ainda não foram suficientes para impulsionar o volume de negócios no segmento.
Falta de liquidez distorce preços
Este fenômeno, porém, não atinge apenas o Brasil. Segundo a associação, trata-se de um fato relacionado à maioria dos países emergentes, onde o crescimento da liquidez não acompanhou a expansão de seus mercados de dívida. Neste contexto, aspectos relacionados à transparência e pulverização são analisados pela associação como forma de incrementar a liquidez neste mercado.
A liquidez em mercados de quaisquer ativos é importante pelo fato de estar relacionada aos custos inerentes a operações nestes mercados, já que, segundo a Andima, a liquidez de um mercado se relaciona à capacidade de execução das transações sem que se afetem os preços. Se, porém, isso não ocorre, os investidores tendem a compensar a falta de liquidez através de um aumento dos custos de captação dos emissores.
Características estimulam pouca pulverização
Por ser um segmento em que um mesmo emissor pode realizar diversas emissões, com prazos e condições distintos, o mercado de renda fixa tende a gerar um volume financeiro elevado e um quadro de liquidez concentrada, condições estas que, associadas à característica de ser um mercado especializado, em que predominam instituições financeiras e investidores institucionais, acaba tornando-se pouco pulverizado.
Diante deste, a precificação dos ativos torna-se de difícil compreensão pelo investidor de varejo, avalia a Andima, que acrescenta que estas características fazem com que as negociações sejam realizadas, em sua maioria, em mercado de balcão, fora da Bolsa, com negociação dos participantes diretamente entre si.
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Maior transparência pode alavancar negociações
É neste contexto que entra a questão da transparência abordada pela associação, que afirma que esta se relaciona à “maior ou menor quantidade de informações disponíveis sobre as propostas efetuadas e os negócios cursados – notadamente sobre os preços – bem como as condições de acesso e à disseminação dessas informações”.
Assim, os sistemas eletrônicos de registro ou negociação, que consolidam e divulgam com rapidez as características de negócios potenciais ou efetivos contribuem para ampliar a transparência no segmento.
Neste contexto, em mercados mais líquidos e homogêneos a introdução dos sistemas de negociação está em linha com a proposição de melhorar a transparência, bem como a introdução de métodos eletrônicos de transmissão de cotação em segmentos com ativos e operações mais heterogêneos.
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Além destas medidas operacionais, tanto a Andima como demais grupos representantes desse mercado vêm discutindo questões de nível macroeconômico, institucional e microeconômico que devem permitir avanços nos mercados de renda fixa.