Captação da indústria de fundos segue robusta, mesmo com mercado cauteloso

Entrada líquida de recursos em setembro é a 4ª maior do ano, apesar de eleições próximas e incertezas na economia dos EUA

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SÃO PAULO – Ao final de fevereiro, a captação líquida da indústria de fundos de investimento em 2006 já havia superado o registrado em todo o ano anterior, quando as entradas superaram as saídas em R$ 20,316 bilhões.

Em apenas três meses – janeiro, fevereiro e março – a captação líquida da indústria somava R$ 39,991 bilhões, segundo dados da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento). Em maio, no entanto, veio a inflexão e as saídas superaram as entradas em R$ 491 milhões.

A tendência negativa perdurou no mês seguinte, diante de uma correção generalizada que assolou os mercados emergentes, após ganhos expressivos no passado recente.

Recuperação

Impressiona, no entanto, a capacidade que a indústria de fundos teve de retomar um bom ritmo de captação de recursos, mesmo em meio a um quadro de grandes incertezas pesando sobre o mercado financeiro.

Questionam-se a capacidade dos preços das commodities em se manter em níveis elevados, a magnitude da desaceleração da economia norte-americana, um eventual estouro da bolha imobiliária nos EUA, o baixo crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro, entre outros aspectos também relevantes.

Há quase três meses

A despeito de tais dúvidas, já em julho, o volume captado apresentou enorme robustez. As entradas superaram as saídas em expressivos R$ 5,055 bilhões – a quinta maior captação líquida do ano.

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Talvez ainda mais surpreendente seja o desempenho do mês corrente. Considerando dados disponíveis até o dia 19 de setembro, o incremento no patrimônio líquido administrado foi de R$ 6,370 bilhões, inferior apenas às performances de janeiro, fevereiro e março.

Fundos de ações puxando

Muito embora o Ibovespa acumule perdas em setembro, a volumosa captação líquida total da indústria de fundos está diretamente atrelada ao desempenho dos fundos de ações, com entrada líquida de recursos de R$ 2,551 bilhões no período.

As estatísticas são ainda mais robustas quando se considera a proximidade das eleições presidenciais. Seria impossível imaginar tal desempenho em outros momentos da história brasileira, dado o histórico de enorme volatilidade que caracteriza períodos como este.

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Reflexo da atual liquidez internacional ainda alta; mas, também, dos sucessivos avanços no ambiente macroeconômico do país, que permitem ao mercado financeiro atravessar praticamente incólume as eleições para presidente.