Capitalização da Petro deve decidir rumo do Ibovespa na semana e no ano

Oferta adiada pode levar a revisão de projeções para índice; números dos EUA continuam em foco, após semana de dados ruins

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SÃO PAULO – Os indicadores econômicos norte-americanos continuaram a colocar a recuperação do país em dúvida ao longo da semana, com destaque para os pedidos de seguro-desemprego, que trouxeram novo avanço, dessa vez para 500 mil, maior patamar desde novembro de 2009. O mercado de trabalho frágil é uma das principais preocupações dos investidores com os EUA, e mais uma vez Barack Obama, presidente norte-americano, reforçou a necessidade de apoio aos pequenos negócios.

No entanto, nem todos os números decepcionaram. Ainda no país, a produção industrial surpreendeu e avançou 0,1%. Além disso, o banco central alemão revisou a projeção para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 3% em 2010. Essa agenda conflitante levou o Ibovespa a mostrar volatilidade, encerrando a semana com leve alta de 0,62%.

Grande preocupação
Como os Estados Unidos ainda são a “grande preocupação”, conforme define Pedro Galdi, estrategista-chefe da SLW, é a agenda de lá que merece destaque, embora os números das economias europeias tenham trazido mais otimismo. Osmar Camilo, analista da Socopa, faz o mesmo comentário, e pondera, por sua vez, que a Europa pode ajudar, mas mais porque “deixou de piorar”.

Recheada de indicadores, como PIB nos Estados Unidos e diversos dados referentes ao mercado imobiliário norte-americano, que devem mostrar estagnação, avalia Camilo, a expectativa é de mais volatilidade. “Depois de uma semana de dados ruins, será necessário observar o que os próximos números trarão em termos de perspectivas”, explica o analista da Socopa. Já o estrategista da SLW acredita que a “agenda vai apimentar os mercados”.

Revisão depende de Petrobras
Nesse caso, os EUA e a dificuldade do Ibovespa em ultrapassar com consistência os 70 mil pontos podem levar analistas a rever as projeções otimistas para a bolsa no final do ano? Para Pedro Galdi, não é nisso que o índice, e as estimativas, se baseiam para enxergar o Ibovespa em 80 mil pontos até o fim de 2010.

O responsável é o outro foco de atenção dessa semana: a capitalização da Petrobras (PETR3, PETR4). O preço do barril da cessão onerosa para a estatal deve ser definido, de acordo com o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, até a próxima segunda-feira (23). Ao longo dessa semana, no entanto, especulou-se que a oferta de ações possa ser adiada para o próximo ano, por pressão do ministério da Fazenda, que vê tempo escasso para organizar uma operação complexa. 

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“Seria muito frustrante, claro”, indica Camilo, da Socopa. No entanto, o analista acredita que tanto o Executivo quanto a administração da estatal estão se esforçando para evitar essa postergação, até mesmo porque as declarações que levaram a essas suspeitas, lembra Camilo, foram muito mal recebidas pelo mercado. As ações preferenciais da estatal encerraram a semana em queda de 3,18% em função do noticiário envolvendo a capitalização, enquanto os ativos ordinários recuaram 4,60% no período. 

No entanto, se o processo for adiado para 2011, avalia Galdi, as incertezas continuam e o papel fica sem força para se recuperar. Com isso, o estrategista não tem muita certeza se os outros setores serão capazes de carregar a bolsa até os 80 mil pontos, e por isso as casas de investimento podem ser obrigadas a rever suas projeções, aponta. “Vamos ter que esperar segunda-feira para saber, realmente, para onde caminhará a bolsa”, conclui. 

Preço do barril
Camilo, da Socopa, tem uma análise um pouco diferente. Em sua avaliação, o adiamento pesaria sobre os papéis no curto prazo, mas como os múltiplos ficaram muito descontados, em qualquer métrica, as ações já não têm tanto espaço para cair. Além disso, se a capitalização ficar para 2011, o analista espera que a Petrobras fique de lado até a definição, mas que os outros papéis compensem isso, impulsionando o Ibovespa.

Além do prazo, o outro dado da capitalização que traz volatilidade é o preço do barril de petróleo que será usado na cessão onerosa. Mesmo que os participantes decidam seguir em frente com o processo, um preço acima de US$ 7, indica o mercado, tornaria a capitalização inviável, por causa do aumento do tamanho da oferta.

Para Camilo, no entanto, isso pode ser contornado, com a diminuição da quantidade de barris da cessão onerosa, que é de até 5 bilhões de barris, um número aparentemente maleável, explica o analista. Por isso, em sua opinião, o “ponto mais crítico”, e que será bastante observado por investidores, é se a decisão tomada será no sentido de adiar a oferta ou não, conclui.