Capital fica mais seletivo com conflitos globais e concentração em tecnologia

Gigantes da tecnologia reportaram resultados acima das expectativas em meio à crise geopolítica

Erick Souza

Fachada com placa da Nvidia (Foto: Divulgação/Nvidia)
Fachada com placa da Nvidia (Foto: Divulgação/Nvidia)

Publicidade

Os mercados acionários globais têm passado por um momento de forte volatilidade. E a instabilidade provocada pela crise geopolítica causada pelo conflito no Oriente Médio tem se refletido nos índices globais, o S&P 500, por exemplo, registrou oscilações superiores a 2% em sessões únicas.

Mesmo com toda turbulência, as gigantes da tecnologia reportaram ganhos acima das expectativas do mercado no último trimestre.

Ao mesmo tempo, setores mais sensíveis ao ciclo econômico, como o financeiro e o de energia, têm enfrentado pressão crescente de venda.

Para os analistas da Ágora, esse cenário sugere um posicionamento bifurcado no mundo. Por um lado, como explicam os economistas, os investidores globais parecem procurar algum hedge geopolítico, via exposição a commodities e duration mais curta. Combinado a isso, também buscam posições com alocação estrutural em tecnologia.

Segundo o banco, o primeiro caso é oferecido pelo Ibovespa. Já o segundo, ainda não é uma realidade para o Brasil. “De uma forma agregada, continuamos a ver um interesse marginal dos estrangeiros em relação aos ativos brasileiros”, explicam os analistas da Ágora.

Os estrategistas ressaltam que cada vez mais os fluxos estão se tornando seletivos, provocando uma distorção de desempenho entre os setores listados na B3.

Continua depois da publicidade

Mag7 e o crescimento no trimestre

Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta, Nvidia, Tesla (as Magnificent Seven, ou Mag7) tiveram um crescimento médio anual de receita de 14,2% no último trimestre. As margens expandiram cerca de 3,40 pontos percentuais acima do trimestre anterior.

A Nvidia, a melhor posicionada, chegou a ter receita de US$ 28,1bilhões, o que representa um crescimento de 87% em base anual. De acordo com a Ágora, o resultado reflete a insaciável demanda por GPUs para infraestrutura de IA generativa.

Para o banco, a compressão técnica dos múltiplos chamou ainda mais atenção. Mesmo com valorização absoluta dos preços, o P/L (preço sobre lucro) médio do grupo caiu de 34,2x para 29,8 entre o último trimestre de 2025 e o primeiro deste ano. O índice composto das sete foi valorizado no período.

De acordo com os analistas, essa dinâmica supostamente contraditória mostra que os lucros crescem mais rapidamente que preços, sinalizando que o mercado finalmente encontrou uma âncora fundamental para valuations antes considerados especulativos.