Publicidade
SÃO PAULO – Após uma pausa na sequência de ganhos, a bolsa voltou a registrar uma semana positiva. A julgar pelos próximos eventos à frente, fica a impressão que depois de despencar no ano passado e puxar forte rali em 2009, o mercado deve andar um pouco mais de lado a partir de agora. De fato, falta força para os atuais catalisadores.
Grosso modo, nada mais parece surpreender. “Motivo para realizar forte não tem, mas para subir mais que isto também não”, afirma Eduardo Kondo, da Concórdia. Kondo é dos que acreditam que a rotina de grandes oscilações deve dar uma pausa. “O Ibovespa já chegou a um nível justo e tende a ficar de lado nas próximas semanas”, resume.
Olhando para os fundamentos do mercado, um fator importante reforça esta visão. Indicadores de confiança do investidor e de volatilidade retornaram aos padrões de normalidade nos últimos dias. Um bom exemplo é o VIX – Volatility Index -, conhecido como “indicador do medo”, que voltou para os patamares pré-crise.
Possibilidade existe
Sem grandes eventos em aberto ou novas ameaças no horizonte, fundamentos apontam um descanso. No entanto, outros fatores sugerem agitação. “Para a semana que vem acho que é forte alta”, pontua Rafael Diniz, da Tov Corretora. Olhando para os gráficos, Diniz vê “forte alta nos longos de intraday, revertendo tudo, médias móveis cruzando com bastante força, volume entrando, dólar em baixa; não tem grandes motivos para crer que a gente vai realizar”.
Se os sinais da economia, temporada de resultados ou noticiário corporativo não alimentam grandes perspectivas, o volume chama atenção. “Acredito que hoje estamos naquela última euforia. A grande massa do dinheiro já entrou. O que tem para entrar, se ainda tem alguma coisa para entrar, é muito pouco”, falando do investidor estrangeiro.
A agenda
Lá fora, a semana começa morna e vai se agitando aos poucos. O feriado de Memorial Day paralisa os negócios no mercado norte-americano na segunda-feira, porém, os dias seguintes trazem indicadores importantes, de confiança do consumidor, do setor imobiliário, da indústria. Preparação para a sexta-feira, que encerra a semana com os aguardados números do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano no primeiro trimestre.
Continua depois da publicidade
Por aqui, nada de muito novo, apenas os tradicionais dados semanais de inflação.
Outra questão que deve marcar presença é a reestruturação da General Motors. O prazo fornecido pelo governo norte-americano expira no dia 1 de junho, sendo a última semana para a montadora cortar custos, renegociar contratos e mostrar avanços na tentativa de evitar uma recuperação judiciária. O noticiário do setor promete.
No meio termo
No balanço das ocorrências, parece não haver grande ameaça para uma realização muito forte nem motivo para altas tão expressivas. “Realização forte só depois que o índice futuro tocar 58 mil pontos”, define Diniz.
Olhando para um horizonte um pouco mais dilatado, Kondo tenta encontrar drivers extras para o Ibovespa. “Com queda da taxa de juros, o mercado pode pagar um P/L maior para a bolsa, o que pode gerar um upside adicional para o mercado no ano.”
Continua depois da publicidade
A próxima semana, no entanto, parece um tanto distante destas duas demarcações. Para os próximos dias, a bolsa pode escapar da dúvida entre rali e realização pelo meio termo e andar de lado.