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Dólar a R$ 4,20? Até onde a moeda pode ir com o acirramento da guerra comercial

Com os recentes acontecimentos, a moeda agora luta para se manter próxima dos R$ 4,00

Dólar
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Após a China responder ao aumento das tarifas imposto pelos Estados Unidos na semana passada com uma desvalorização de sua moeda (yuan), o dólar atingiu seu maior valor desde 30 de maio, agora na casa de R$ 3,95. A questão agora é até onde a moeda americana tem força para ir em meio ao acirramento da guerra comercial.

A segunda maior economia do mundo enfraqueceu na véspera o yuan, que ultrapassou 7 por dólar, no nível mais fraco em uma década, além de pedir a estatais para suspender as importações de produtos agrícolas dos EUA. Isso levou as bolsas nos EUA a caírem mais de 2,5%, com o Nasdaq fechando com perdas de 3,5%. 

Este cenário foi apenas mais um fator para puxar o dólar, que há duas semanas era cotado em R$ 3,74, sendo que nos últimos dias, analistas já apontavam para a recuperação da moeda americana. Nesta segunda-feira (5), o dólar fechou com alta de 1,69%, cotado a R$ 3,9572 na venda.

Segundo José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, a volta do dólar para a casa dos R$ 3,83 na semana passada já era prevista, principalmente se o Federal Reserve tivesse um discurso "menos dovish" - o que de fato aconteceu.

Na última quarta, o banco central dos EUA cortou os juros no país em 0,25 ponto percentual, mas seu presidente, Jerome Powell, fez um discurso confuso, dando a entender que não haverão novas reduções em breve.

"Com a guerra comercial e sem corte de juros, o mercado sofre com uma forte aversão ao risco", avalia destacando que um bom indicador para se acompanhar agora será o índice S&P 500. Para Faria, é preciso que ele fique de forma consistente acima dos 2.800 pontos para que o dólar pare de subir e fique neste nível próximo dos R$ 4,00. Hoje o S&P fechou em 2.844 pontos.

"Caso o quadro se agrave lá fora, com o S&P caindo deste suporte de longo prazo, o dólar poderia subir para entre R$ 4,15 e R$ 4,20", avalia.

Antes mesmo do acirramento da guerra comercial, o Morgan Stanley já havia alertado sobre uma mudança de cenário. Na semana passada, o banco mudou suas projeções sobre moedas emergentes apontando que o "corte hawkish" de juros pelo Fed aumenta a divergência de políticas monetárias entre nações em desenvolvimento e os EUA.

"O Fomc não saiu conforme o planejado e, portanto, recomendamos reduzir a exposição cambial", disseram os analistas apontando que o dólar iria se fortalecer devido à divergência da política monetária, já que muitos bancos centrais nos países em desenvolvimento iniciaram a flexibilização do ciclo.

Enquanto o Fed reduziu as taxas de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual sem sinalizar um ciclo de cortes, o Banco Central diminuiu a Selic na semana passada em 0,5 ponto percentual e deixou claro que esse é só o começo.

O diferencial de juros entre Brasil e EUA, portanto, está caindo. Como os títulos da dívida pública norte-americana são os mais seguros do mundo, se a taxa de juros cai aqui e se mantém lá, vale mais a pena comprar os bonds americanos.

"Em geral, o dólar cai após início de ciclo de corte de juros nos EUA, mas a comunicação de Powell foi confusa. O Dollar Index seguiu forte, as  commodities estão caindo, Fed não foi dovish e com o retorno da guerra comercial, o dólar se manteve forte", explica Faria, que condiciona a "cicatrização" do mercado ao futuro do S&P 500.

Segundo apontou Georgette Boele, estrategista do ABN Amro, em entrevista para a Bloomberg, o dólar poderia superar os R$ 4 se a aversão ao risco continuar, apontando que as tensões com a guerra comercial vieram para ficar e muito do corte de juros pelo Fed já está no preço.  O ABN vê o dólar a R$ 4 no fim do ano. 

Esta terça-feira pode ser de certo alívio para as moedas dos emergentes com a medida da China de fixar a taxa de câmbio do yuan em um nível mais forte do que o esperado por analistas. Contudo, o ambiente de tensão segue e requer atenção dos investidores: vale destacar que, na noite de ontem, o  governo da China confirmou que suspenderá a compra de novos produtos agrícolas dos Estados Unidos por companhias do país asiático.

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